Brilhantes: astrônomos explicam como se formam as chuvas de meteoros
Fragmentos deixados por cometas e asteroides cruzam a órbita da Terra e produzem o fenômeno que pode ser observado a olho nu
atualizado
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Riscos luminosos cruzando rapidamente o céu noturno costumam despertar curiosidade em quem observa. Conhecidos popularmente como estrelas cadentes, esses pontos de luz fazem parte de um fenômeno astronômico chamado chuva de meteoros. Mas afinal, como elas se formam?
O fenômeno ocorre quando a Terra atravessa regiões do espaço cheias de fragmentos deixados por cometas ou asteroides. Ao entrar na atmosfera em altíssima velocidade, essas pequenas partículas produzem o brilho que vemos no céu.
Segundo o físico e astrônomo Glaube Neimar Carneiro, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o espaço ao redor do Sistema Solar contém muitos desses detritos.
“Imagine que o espaço não é vazio, mas sim repleto de ‘sujeira’ deixada por grandes corpos celestes. Uma chuva de meteoros acontece quando a Terra, na sua órbita, atravessa uma nuvem desses fragmentos”, explica.
Ao se aproximarem do Sol, os cometas sofrem aquecimento e começam a liberar material ao longo de sua trajetória. “Quando eles estão mais perto, o material congelado se liquefaz pelo aquecimento provocado pela energia do Sol e ao mesmo tempo os fragmentos se desprendem do cometa”, comenta o astrônomo Adriano Leonês, pesquisador da Universidade de Brasília (UnB).
Com o tempo, essas partículas formam verdadeiras trilhas no espaço. Quando a Terra passa por essas regiões durante sua órbita ao redor do Sol, ocorre a chamada chuva de meteoros.
“Chuva de meteoro é o nome dado ao fenômeno em que ocorre a queda de diversos meteoros a partir de um mesmo radiante no céu noturno”, explica Leonês.
Segundo ele, o evento costuma durar alguns dias, com períodos de maior atividade. “O período de duração costuma durar de sete a 15 dias. O pico dura um ou dois dias, com queda de 20 a 40 meteoros por hora”, aponta.
Por que vemos os rastros luminosos?
Apesar de muitas vezes parecerem grandes objetos, os meteoros geralmente são minúsculos. Em muitos casos, têm apenas o tamanho de um grão de areia.
“O rastro luminoso aparece porque os meteoroides entram na atmosfera da Terra em velocidades muito altas, podendo chegar a dezenas de quilômetros por segundo”, explica o professor e doutor em astrofísica Adam Smith Gontijo, da Universidade Católica de Brasília (UCB).
Segundo ele, o processo envolve aquecimento intenso e interação com o ar. “Ele aquece o material e excita os átomos e moléculas da atmosfera. Quando essas partículas voltam a estados de menor energia, emitem luz”, ensina.
Na maioria das vezes, os fragmentos se desintegram completamente antes de atingir o solo. Quando algum pedaço sobrevive à passagem pela atmosfera e chega à superfície, ele passa a ser chamado de meteorito.

Como o fenômeno se repete todos os anos?
Algumas chuvas de meteoros são previsíveis porque a Terra percorre a mesma trajetória ao redor do Sol todos os anos. Assim, em determinadas épocas, o planeta volta a atravessar as mesmas trilhas de fragmentos deixadas por cometas. Carneiro compara esse movimento a um veículo percorrendo sempre a mesma estrada.
“É como se a Terra fosse um carro que percorre sempre a mesma estrada todos os anos. Em certos pontos específicos desse trajeto, existem nuvens de poeira deixadas por cometas que passaram por ali há muito tempo”, diz.
Por isso, muitas chuvas de meteoros ocorrem praticamente nas mesmas datas todos os anos. Gontijo explica que os cientistas conseguem prever quando essas regiões serão atravessadas pela Terra.
“Os astrônomos conseguem estimar em quais datas a Terra cruzará essas regiões e qual será o período de maior atividade, chamado de pico da chuva de meteoros”, comenta.
Para observar o fenômeno, não é necessário telescópio. O ideal é procurar locais escuros e afastados da iluminação artificial. Segundo o pesquisador, a melhor estratégia é olhar diretamente para o céu aberto e ter um pouco de paciência. “O melhor instrumento é o próprio olho humano, pois permite observar uma área ampla do céu”, finaliza.
