Pesquisadores registram foto de pássaro desaparecido há 94 anos
A última vez que o pássaro havia sido visto foi em 1931, quando a tecnologia não era suficiente para fotografar o animal voador
atualizado
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Nem tudo o que parece ser, realmente é. O dito popular pode se encaixar perfeitamente na situação da cotovia-ferruginosa (Calendulauda rufa), espécie de pássaro que não era vista há quase um século e, por conta disso, era dado como extinta. No entanto, o animal voltou a ser visto após 94 anos em uma expedição realizada em Chade, na África Central – e o melhor: os pesquisadores conseguiram registrar a primeira imagem conhecida do bicho voador.
A cotovia-ferruginosa foi vista pela última vez em 1931 e não havia registro do encontro devido à tecnologia precária da época. Tudo mudou em fevereiro deste ano, quando os pesquisadores Pierre Defos du Rau e Julien Birard, do projeto francês RESSOURCE+, avistaram o animal.
Por ter ficado tanto tempo sem ter sido visto, os especialistas classificam o achado como raro, mas apontam que a tarefa de achar um novo exemplar será quase impossível. “Nunca mais terei a sorte de encontrar uma ave tão rara”, diz du Rau, em comunicado divulgado em 5 de maio.
Encontro com o pássaro ocorreu por acaso
O objetivo dos pesquisadores de fato não era buscar uma cotovia-ferruginosa. Na verdade, du Rau e Birard partiram para o Lago Fitri, no Chade, em busca de outras aves para estudá-las. E em um determinado momento, quando foram fotografar um pardal-de-kordofan (Passer cordofanicus), um dos cientistas avistou uma cotovia distinta das demais.
Mesmo sem saber que se tratava de uma espécie rara, os especialistas envolvidos na expedição registraram imagens da ave para analisá-la posteriormente. Segundo o comunicado, o registro foi tirado entre 6 a 8 metros de distância, mas o pássaro se mostrou relativamente destemido com a presença de humanos.
Posteriormente, a foto foi estudada por um especialista da BirdLife International, uma iniciativa global dedicada à conservação das aves. Utilizando o método de exclusão, ele confirmou que se tratava da cotovia-ferruginosa, a ave desaparecida por 94 anos.
Espécies ficarem tanto tempo desaparecidas mesmo sem estarem extintas, é mais comum do que se imagina, de acordo com os pesquisadores – o comportamento é conhecido na biologia como Táxon Lázaro, em referência à passagem bíblica da ressurreição de Lázaro. A saída de cena pode estar ligada aos habitats de reprodução de difícil acesso ou à falta de estrutura para estudar as aves da região.