metropoles.com

Populações de pinguins africanos estão morrendo em massa por fome

Segundo estudo recente, a queda na população de sardinhas impactou fortemente a sobrevivência dos pinguins-africanos

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Christopher Loh/Getty Images
Imagem colorida mostra pinguis-africanos na costa da África do Sul - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra pinguis-africanos na costa da África do Sul - Metrópoles - Foto: Christopher Loh/Getty Images

A população de pinguins-africanos (Spheniscus demersus), nativos da África do Sul, sofreu uma baixa significativa nos últimos anos. Um novo estudo estima que cerca de 95% das aves que se reproduziram em 2004 nas ilhas Dassen e Robben morreram de fome nos oito anos seguintes. Os locais são importantes colônias de reprodução dos pinguins sul-africanos.

A descoberta foi liderada por pesquisadores do Departamento de Florestas, Pescas e Meio Ambiente da África do Sul, em parceria com a Universidade de Exeter, no Reino Unido. Os resultados foram publicados nessa quinta-feira (4/12) na revista científica Ostrich: Journal of African Ornithology.

De acordo com a pesquisa, as mortes aconteceram em decorrência da diminuição da população de sardinhas na costa, o principal alimento dos pinguins.

“Entre 2004 e 2011, o estoque de sardinhas na costa oeste da África do Sul ficou consistentemente abaixo de 25% de sua abundância máxima, e isso parece ter causado uma grave escassez de alimentos para os pinguins-africanos, levando a uma perda estimada de cerca de 62 mil indivíduos reprodutores”, aponta o coautor do artigo, Richard Sherley, biólogo do Centro de Ecologia e Conservação, sediado na Universidade de Exeter.

A expectativa dos pesquisadores é que as conclusões incentivem a criação de estratégias de gestão para garantir a recuperação e a sobrevivência das aves a longo prazo. No ano passado, os pinguins foram classificados como “criticamente ameaçados de extinção” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Falta de alimentos impacta pinguins na época de muda

Como tudo na natureza, o desaparecimento de pinguins está ligado a falhas em diferentes processos ambientais. Quando uma peça sai do lugar, toda a cadeia alimentar é afetada. No caso das aves africanas, a queda populacional começou em um evento importante anual: a época da muda.

Anualmente, os pinguins africanos trocam de penas, descartando as velhas e desgastadas por novas. A substituição ajuda no isolamento térmico e impermeabilização. No entanto, durante a perda temporária da proteção, as aves ficam em terra e não saem para caçar, em um período que dura 21 dias.

Para ficar tanto tempo sem comer, os animais aproveitam para engordar antes e manter suas reservas. É nesse ponto que entra o declínio de sardinhas na região, prato favorito dos pinguins. Com pouca opção de alimento, eles se nutrem menos antes de jejuar e muitos não sobrevivem.

Para descobrir o tamanho do impacto, foi analisado o número de casais reprodutores e pinguins adultos em muda nas ilhas Dassen e Robben entre 1995 e 2015. Estimativas dos anos 2000 apontam que ambos locais abrigavam cerca de 34 mil aves reprodutoras.

Também foi investigada a expectativa das taxas de sobrevivência dos adultos, baseadas em análises de captura-marcação-recaptura praticadas entre 2004 e 2011 – método utilizado para estimar o tamanho de populações de animais em vida livre.

Por fim, as taxas de sobrevivência e a proporção de reprodutores que não voltaram às colônias de origem para realizar a muda foram comparadas ao índice de disponibilidade de presas na região.

“Altas taxas de exploração de sardinhas — que chegaram brevemente a 80% em 2006 — em um período em que a população de sardinhas estava diminuindo devido a mudanças ambientais, provavelmente agravaram a mortalidade dos pinguins”, afirma Sherley.

Segundo os cientistas, o fenômeno não acontece somente nas principais ilhas de reprodução, sendo necessária a adoção de medidas urgentes em toda costa sul-africana. A principal ação a ser tomada é a recuperação da população de sardinhas que, consequentemente, aumentará a quantidade de pinguins.

“Abordagens de gestão da pesca que reduzam a exploração da sardinha quando a sua biomassa for inferior a 25% do seu máximo e permitam que mais adultos sobrevivam até à desova, bem como aquelas que reduzam a mortalidade dos recrutas [sardinhas juvenis], também poderiam ajudar”, afirma o biólogo Richard Sherley.

No início do ano, o governo sul-africano restabeleceu áreas de proibição de pesca ao redor da Ilha Robben. A decisão veio após setores de conservação ambiental e indústrias pesqueiras locais entrarem em acordo sobre a necessidade de fechamento de áreas de pesca próximas a colônias de pinguins.

Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto!

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?