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Ciência

Nova espécie de peixe descoberta mostra a evolução acontecendo ao vivo

A descoberta de um peixe dourado sem escamas na China ajuda cientistas a entender como os animais evoluíram para viver em cavernas

07/03/2025 12:57
Reprodução/ Zoosystematics and Evolution
Parátipo vivo do Sinocyclocheilus xingrenensis, peixe recém descoberto

Cientistas identificaram uma nova espécie de peixe no sudoeste da China. O animal é adaptado para a vida em cavernas subaquáticas e não tem escamas. Para os pesquisadores, a descoberta revela pistas sobre a adaptação à vida subterrânea.

A descoberta foi publicada por pesquisadores da Universidade de Guiyang, em 24 de fevereiro, no periódico Zoosystematics and Evolution. Segundo os investigadores, ela oferece um raro vislumbre da evolução em ação.

O animal, batizado de Sinocyclocheilus xingrenensis, foi encontrado próximo à cidade de Xingren e apresenta características únicas que o distinguem de outras 80 espécies do mesmo gênero.

A espécie recém-descoberta tem olhos grandes e carece de escamas, uma adaptação incomum para a vida em cavernas. Segundo estudo, o peixe ainda está em processo de adaptação ao ambiente subterrâneo, o que sugere que a evolução desses animais pode se tornar um fenômeno contínuo e observável.

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Uma janela para o passado evolutivo

A descoberta do S. xingrenensis ajuda a entender como os peixes de linha dourada se adaptaram às cavernas. Pesquisas anteriores indicam que esses animais migraram para o subsolo durante períodos de seca no final do Mioceno, há cerca de 5 milhões de anos. A perda de escamas, no entanto, parece ter ocorrido mais recentemente, durante o Pleistoceno, há aproximadamente 700 mil anos.

“Isso sugere que a maioria dos peixes de caverna pode não ter vivido em ecossistemas subterrâneos por mais do que alguns milhões de anos”, escreveram os autores no estudo. A nova espécie, portanto, pode estar em um estágio intermediário de adaptação, perdendo gradualmente características desnecessárias para a vida na escuridão, como as escamas, mas mantendo outras, como os olhos grandes.
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Comparação entre outros dois peixes do mesmo grupo da nova espécie identidicada,  Sinocyclocheilus angustiporus e Sinocyclocheilus robustus
Habitat em que o Sinocyclocheilus xingrenensis foi descoberto
Sinocyclocheilus xingrenensis, peixe recém descoberto
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Sinocyclocheilus xingrenensis, peixe recém descoberto

Reprodução/ Zoosystematics and Evolution
Comparação entre outros dois peixes do mesmo grupo da nova espécie identidicada,  Sinocyclocheilus angustiporus e Sinocyclocheilus robustus
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Comparação entre outros dois peixes do mesmo grupo da nova espécie identidicada, Sinocyclocheilus angustiporus e Sinocyclocheilus robustus

Reprodução/ Zoosystematics and Evolution
Habitat em que o Sinocyclocheilus xingrenensis foi descoberto
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Habitat em que o Sinocyclocheilus xingrenensis foi descoberto

Reprodução/ Zoosystematics and Evolution

Diversidade única em ambientes extremos

O gênero Sinocyclocheilus é o mais diversificado entre os peixes de caverna, com 81 espécies conhecidas. A nova descoberta foi feita durante expedições realizadas entre 2012 e 2020 na província de Guizhou, região conhecida pela abundância de cavernas que abrigam uma rica biodiversidade.

O S. xingrenensis se diferencia não só pelas escamas e olhos, mas por ter marcações pretas irregulares no corpo e a falta de uma estrutura semelhante a um chifre, presente em outras espécies do gênero.

Olhos que revelam hábitos

A presença de olhos grandes no S. xingrenensis oferece pistas sobre seu comportamento. Diferente de espécies completamente cegas, que vivem nas profundezas das cavernas, a nova espécie pode estar conectada a riachos superficiais através de aberturas nas cavernas, onde a luz ainda é perceptível.

“Isso está relacionado ao habitat, onde as novas espécies podem ser conectadas a riachos superficiais através de janelas de cavernas, e seus ritmos de vida podem estar intimamente relacionados à presença de luz”, explicaram os pesquisadores. Para eles, a descoberta reforça a complexidade dos ecossistemas subterrâneos e a importância de estudá-los para entender a evolução das espécies.

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