Morcegos-vampiros do Peru têm indícios de infecção por gripe aviária

Anticorpos em morcegos-vampiros sugerem contato com H5N1, mas especialistas apontam baixa chance de transmissão

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O morcego-vampiro-comum (Desmodus rotundus) é um pequeno morcego com nariz em forma de folha, nativo das Américas. Metrópoles
1 de 1 O morcego-vampiro-comum (Desmodus rotundus) é um pequeno morcego com nariz em forma de folha, nativo das Américas. Metrópoles - Foto: Getty Images

Focos inéditos de infecção por gripe aviária H5N1 podem ter alcançado um novo hospedeiro na América do Sul. Um estudo, publicado como pré-print no bioRxiv em 11 de novembro, encontrou anticorpos contra o vírus em morcegos-vampiros (Desmodus rotundus) do Peru.

O trabalho ainda não passou pela revisão de outros pesquisadores, etapa comum antes da publicação em revistas científicas, mas reúne evidências consideradas relevantes por especialistas que acompanham a evolução do vírus.

O H5N1 chegou ao continente em outubro de 2022, trazido por aves migratórias. A partir daí, causou uma onda de mortes entre aves e mamíferos marinhos ao longo da costa do Pacífico.

Leões-marinhos, elefantes-marinhos, golfinhos e diferentes espécies de aves foram dizimados, especialmente no Peru e no Chile, em um dos surtos mais extensos já registrados na região.

Pesquisadores agora sugerem que morcegos-vampiros comuns, espécie que vive em grupos densos e se alimenta de sangue, podem ter entrado em contato com o vírus ao consumir presas marinhas infectadas.

Como os cientistas chegaram à evidência

A veterinária I-Ting Tu, da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, investigou colônias de morcegos meses após o auge do surto.

Nenhuma amostra da garganta ou do reto dos animais continha material genético do H5N1, mas exames de sangue mostraram a presença de anticorpos contra o subtipo H5 em parte dos indivíduos que viviam próximos ao litoral. Esses anticorpos não existiam em análises coletadas antes da chegada do vírus à região, o que sugere exposição recente.

Para entender como isso poderia ter acontecido, a equipe analisou o DNA presente nos dejetos e no sangue ingerido pelos animais. O resultado revelou uma dieta mais variada do que se imaginava.

Além de leões-marinhos, os morcegos costeiros consumiram sangue de pelicanos, cormorões, pinguins, atobás e urubus. Já colônias localizadas mais para o interior se alimentavam de animais de criação, como cavalos, porcos e gado.

Os pesquisadores também identificaram colônias com “dieta mista”, alimentando-se tanto de animais marinhos quanto terrestres. Segundo a pesquisadora, esse tipo de comportamento mostra como os morcegos poderiam, em teoria, atuar como ponte entre ecossistemas diferentes.

Não há evidências de que isso tenha acontecido, e ainda não está claro se o vírus pode ser transmitido por meio da mordida desses animais.

Risco pandêmico é baixo

Apesar da descoberta, o achado não deve ser interpretado como sinal de uma nova ameaça iminente. O patologista veterinário Thijs Kuiken, do Centro Médico Erasmus, que não participou do estudo, disse à revista Science que a baixa proporção de animais com anticorpos, nunca acima de 8% em qualquer colônia, indica que não houve transmissão eficiente entre os morcegos.

Para que se tornassem um reservatório permanente, o vírus precisaria circular de forma contínua dentro dos grupos. Em experimentos de laboratório, células renais, hepáticas e pulmonares de morcegos-vampiros mostraram capacidade de se infectar e replicar o vírus. Mesmo assim, os cientistas ainda não sabem por que o H5N1 parece ter se espalhado tão pouco entre eles.

Por enquanto, os cientistas observam o fenômeno com cuidado. A presença de anticorpos em morcegos costeiros sugere interação direta com presas marinhas fortemente afetadas pela epizootia de 2023. Mas a ausência de transmissão consistente entre os próprios morcegos reduz o risco imediato de que eles se tornem reservatório do H5N1.

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