Mármore de Atenas é achado em navio naufragado há 200 anos
Fragmento de mármore foi encontrado em navio de 1802 e reforça evidências sobre o transporte das esculturas do Partenon
atualizado
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Um fragmento de mármore associado à Acrópole de Atenas foi encontrado por mergulhadores nos destroços de um navio naufragado há mais de 200 anos no Mar Egeu.
O achado foi divulgado na última segunda-feira (16/3) pelo Ministério da Cultura da Grécia e integra os resultados mais recentes de uma campanha de escavação subaquática realizada em 2025.
A peça foi localizada no local onde está o brigue Mentor, embarcação que afundou em 1802 enquanto transportava artefatos retirados do Partenon por ordem de Thomas Bruce, o Lord Elgin.
O fragmento mede cerca de 9,3 centímetros por 4,7 centímetros e apresenta formato decorativo em “gota”, um elemento característico da arquitetura clássica grega. Segundo o comunicado oficial, ele pode ter feito parte da ornamentação do Partenon, principal templo da Acrópole.
Embora pequeno, o objeto é considerado relevante por especialistas, pois está diretamente ligado ao contexto histórico do transporte das esculturas conhecidas como “mármores de Elgin”.
De acordo com o Ministério da Cultura da Grécia, o achado representa a primeira evidência material direta de que o navio transportava elementos arquitetônicos da Acrópole. Até então, essa ligação era sustentada principalmente por registros históricos.
Ainda assim, os pesquisadores destacam que o fragmento passará por análises adicionais, e as conclusões sobre sua origem exata devem ser feitas com cautela.

O naufrágio que carrega parte da história da arte
O Mentor afundou em setembro de 1802, próximo à ilha de Kythira, durante o transporte de esculturas removidas da Acrópole no início do século XIX, período em que a Grécia estava sob domínio otomano.
Parte da carga foi recuperada ainda na época, mas diversos objetos permaneceram submersos. Desde 2009, equipes de arqueologia subaquática realizam escavações sistemáticas no local, revelando estruturas do navio, utensílios da tripulação e outros vestígios históricos.
O achado reforça — ainda que não encerre — o debate internacional sobre a retirada e a posse das esculturas do Partenon, muitas das quais estão hoje no Museu Britânico.
Para os arqueólogos, cada novo fragmento recuperado ajuda a reconstruir não apenas o percurso dessas obras, mas também as circunstâncias em que foram removidas da Grécia.
Mesmo com dimensões reduzidas, o objeto encontrado amplia o entendimento sobre um dos episódios mais controversos da história da arte europeia.
