Cientistas mudam magnetismo de cristal com pulsos de luz ultrarrápida
Experimento mostra que é possível alterar propriedades magnéticas sem calor, abrindo caminho para eletrônicos mais rápidos e eficientes
atualizado
Compartilhar notícia

Pesquisadores da Universidade de Konstanz, na Alemanha, descobriram uma nova forma de modificar o magnetismo de um material comum, a hematita (óxido de ferro).
Em vez de usar calor ou campos magnéticos, eles conseguiram alterar suas propriedades apenas com pulsos de laser ultrarrápidos. O estudo foi publicado na última segunda-feira (20/10), na revista Science Advances.
A equipe liderada pelo físico Davide Bossini aplicou feixes de luz no material, o que provocou uma reação inédita: os elétrons dentro do cristal começaram a vibrar em sincronia, gerando pequenas ondas magnéticas chamadas magnons. Essas ondas se comportam como se o magnetismo do material tivesse sido “reprogramado” — sem que o cristal fosse aquecido.
A mudança “não térmica” é importante porque reduz a perda de energia. Em chips e componentes eletrônicos, por exemplo, boa parte da energia é desperdiçada na forma de calor.
Segundo os cientistas, a possibilidade de controlar o magnetismo com luz e sem aumentar a temperatura abre espaço para criar dispositivos muito mais rápidos, que funcionam em frequências trilhões de vezes maiores que as atuais.
O mais impressionante é que o experimento foi feito à temperatura ambiente, sem necessidade de equipamentos caros de resfriamento. Isso indica que a técnica pode ser aplicada em materiais comuns, o que a torna mais próxima de possíveis usos práticos.
A descoberta representa um novo caminho para a eletrônica do futuro, especialmente na área da computação quântica e da chamada “spintrônica” — campo que usa o movimento dos elétrons para transmitir informação. A pesquisa mostra que é possível controlar propriedades magnéticas com precisão extrema, usando apenas luz.
Os próximos passos envolvem entender quanto tempo o efeito dura e se ele pode ser repetido em diferentes materiais. Apesar de ainda estar na fase experimental, o resultado é considerado um avanço promissor na busca por tecnologias mais limpas, rápidas e energeticamente eficientes.
Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto!
