Jovem viraliza instalando bebedouros no sertão para salvar animais na seca.
Ação voluntária em Cantanhede, no Maranhão, abastece 250 litros de água por semana e registra espécies ameaçadas pela estiagem no Cerrado
A escassez extrema de água durante a estiagem no interior do Maranhão ameaça a sobrevivência da fauna silvestre. Em Cantanhede, município localizado na zona de transição entre o Cerrado e a Amazônia, a falta de fontes hídricas naturais na estação seca afeta a rotina e o deslocamento de diversas espécies.
Por isso, o estudante Eric Rian, 16 anos, decidiu instalar bebedouros em diversos pontos da região para essas espécies. Para combater o cenário da seca, pontos artificiais de dessedentação — estruturas destinadas ao abastecimento de água para animais — garantem mais de 250 litros de água por semana a répteis, aves e mamíferos que buscam recursos em áreas de vegetação ressecada.
Estudos apontam que períodos prolongados de seca alteram o comportamento dos animais silvestres.
Com a diminuição de riachos e lagoas, as espécies reduzem suas áreas de busca por comida e água ou percorrem distâncias maiores na busca por hidratação, ficando mais expostas a riscos como atropelamentos, caça predatória e estresse térmico. A oferta controlada de água limpa surge como uma alternativa complementar para reduzir o desgaste físico dos animais durante os meses de maior calor.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA iniciativa que transforma a rotina de Cantanhede
A ação voluntária no município maranhense começou a partir do interesse individual do estudante com o ecossistema da região. Eric iniciou o projeto de instalação e manutenção dos pontos de água quando tinha 14 anos, impulsionado pela observação da seca na vegetação nativa.
“A ideia surgiu de uma curiosidade que eu tinha: onde os animais silvestres bebem água durante a seca? Nessa região, onde estão localizados os bebedouros, a estiagem é muito intensa, e praticamente não há fontes naturais de água disponíveis para os animais”, conta Eric, em entrevista ao Metrópoles.
O estudante do segundo ano do ensino médio começou em agosto de 2024 posicionando recipientes simples e monitorando o local de forma improvisada. “Naquela época, como eu não tinha praticamente nenhum conhecimento sobre a fauna local, imaginava que, no máximo, alguns passarinhos visitariam o local. Eu posicionava meu celular, ia embora e voltava algumas horas depois para conferir horas de gravação e descobrir se algum passarinho tinha aparecido”, relembra.
Monitoramento e diversidade da fauna local
Atualmente, o projeto mantém cinco pontos hídricos em funcionamento no município de Cantanhede, divididos entre bebedouros adaptados e ocos de árvores capazes de armazenar o líquido de forma segura. O trabalho de reabastecimento é feito exclusivamente pelo estudante a cada cinco ou sete dias, exigindo o transporte manual da água até as áreas de mata.
Para acompanhar a eficiência dos pontos e registrar a frequência dos animais, o jovem utiliza armadilhas fotográficas e câmeras de monitoramento fixadas nas árvores. O material gravado revelou uma biodiversidade expressiva que utiliza o recurso ao longo de todo o dia.
“A movimentação é muito maior durante o dia, com centenas de pássaros visitando os bebedouros. Já outros animais costumam aparecer principalmente durante a noite, como o gato-do-mato, o tamanduá-mirim, o cachorro-do-mato e a jaguatirica”, destaca o jovem.
Além de fornecer alívio direto à fauna durante o período mais severo do ano, o monitoramento contínuo contribui para o registro da presença de espécies nativas na região.
“Meu propósito é ajudar os animais a atravessarem o período de escassez de água e, ao mesmo tempo, mostrar a riqueza da nossa fauna, que muitas pessoas nem imaginam existir”, conclui o estudante.
