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Ciência

Inédito: vestígio de sangue é achado em dinossauro de 115 milhões de anos

Durante a análise, foram encontrados glóbulos vermelhos mineralizados e biomoléculas de heme no dinossauro — ambos compostos do sangue

03/11/2026 12:39
Divulgação/Universidade Curtin
Imagem colorida mostra pedaço de dinossauro - Metrópoles

Pela primeira vez, pesquisadores confirmaram a presença de sangue em um fóssil de dinossauro com 115 milhões de anos. O exemplar foi recuperado no nordeste brasileiro e trata-se de um Aratasaurus museunacionali, um dinossauro terópode.

Durante a análise, foram encontrados glóbulos vermelhos mineralizados e biomoléculas de heme — ambos compostos presentes no sangue. Também foi identificada a presença de aminoácidos de colágeno. Estudos anteriores já haviam relatado possíveis estruturas de glóbulos vermelhos em fósseis, porém, a pesquisa atual é a primeira a comprovar quimicamente a presença.

O trabalho liderado pela Universidade Curtin, na Austrália, teve a participação do Museu Nacional do Brasil e da Universidade Regional do Cariri, no Ceará. Os resultados foram publicados nos Anais da Academia Nacional de Ciências (Pnas, na sigla em inglês) nessa segunda-feira (2/11).

Ao analisar as amostras, os pesquisadores encontraram o heme preservado nos ossos dos membros do dinossauro. A presença do componente da hemoglobina responsável por transportar oxigênio confirma que havia restos de sangue fossilizados.

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“Detectar moléculas intactas derivadas do heme em glóbulos vermelhos de 115 milhões de anos é surpreendente: esta é realmente uma descoberta histórica. Isso não apenas amplia o registro fóssil conhecido do sangue, mas também oferece uma janela molecular direta para a fisiologia de animais extintos há muito tempo, para que possamos entendê-los melhor e ao mundo em que viviam”, destaca a autora principal do estudo, Kliti Grice, em comunicado.

As investigações revelaram que as hemácias foram mineralizadas por conta da hausmannita, um mineral metálico que auxiliou na estabilização das estruturas celulares e dos componentes biomoleculares mesmo após um longo período geológico.

O ambiente onde o dinossauro morreu também favoreceu a fossilização do sangue. Acredita-se que a região tinha um baixo teor de oxigênio e era rica em micróbios.

“Essas descobertas abrem novas e empolgantes vias para a paleontologia em nível molecular, permitindo-nos investigar a evolução do sangue, do metabolismo e até mesmo dos níveis de atividade em animais antigos”, afirma Kliti.

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