Pesquisadores registram 1ª “guerra civil” entre chimpanzés em Uganda

É a primeira vez que cientistas conseguem registrar conflitos entre chimpanzés selvagens. Brigas resultaram em mortes de vários exemplares

atualizado

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Aaron A. Sandel/Science
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1 de 1 Imagem colorida mostra chimpanzés brigando em Uganda - Metrópoles - Foto: Aaron A. Sandel/Science

Pesquisadores internacionais registraram, de forma inédita, o primeiro conflito entre chimpanzés selvagens, onde birgas levaram à morte de exemplares anteriormente unidos socialmente. O “guerra civil” dos primatas foi registrada entre os animais do Parque Nacional de Kibale, em Uganda, o maior grupo de chimpanzés selvagens já conhecido.

Ao acompanhar a comunidade dos Ngogo por três décadas, os pesquisadores perceberam que durante as duas primeiras a população era coesa e se mantinha em paz. No entanto, os anos seguintes foram marcados por polarização e evitação entre os grupos Ocidental e Central, o que desencadeou o conflito entre ambos os lados.

A primeira descoberta de chimpanzés selvagens brigando entre si foi liderada pela Universidade do Texas em Austin (UT Austin), nos Estados Unidos, em parceria com outras instituições. Os resultados foram publicados na última quinta-feira (9/4) na revista Science.

“Guerra civil” dos chimpanzés

Os primeiros sinais de polarização ocorreram em 2015. Segundo a principal hipótese, a morte de alguns machos adultos do grupo que eram os elos de ligação entre a comunidade desencadeou os desentendimentos iniciais. 

Três anos depois, os animais já estavam separados em dois grupos: o Ocidental e Central – inclusive, territorialmente. Entre 2018 e 2024, a divisão permanente gerou uma série de brigas violentas, sendo registrados sete ataques contra machos adultos e 17 contra filhotes. 

“O que é particularmente impressionante é que os chimpanzés estão matando antigos membros do grupo. As novas identidades de grupo estão se sobrepondo às relações de cooperação que existiam há anos”, revela o principal autor do estudo, Aaron Sandel, em comunicado.

Sandel afirma que as brigas não chegam a ser literalmente uma guerra civil, semelhante às promovidas por  humanos, porém alguns comportamentos são parecidos com os nossos. “A polarização e a violência coletiva que observamos nesses chimpanzés podem nos dar uma nova perspectiva sobre nossa própria espécie”, diz.

Na maioria das espécies de primatas, é comum que eles se dividam em grupos menores para diminuir a competição por recursos. No entanto, divisões permanentes entre em chimpanzés é algo bastante raro, ocorrendo uma a cada 500 anos.

Um outro estudo antigo também registrou conflitos entre os chimpanzés, mas foi questionado, pois os pesquisadores alimentavam os animais à época. No atual, não ocorreu isso e as brigas foram naturais, tornando o trabalho o mais completo em relação a “guerras” entre os primatas.

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