Grupo de 54 golfinhos encalhou na Escócia para ajudar parto complicado
Segundo relatório do governo escocês, os golfinhos encalharam tentando proteger e ajudar uma fêmea que estava tendo um parto difícil
atualizado
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Um grupo de 54 baleias-piloto (Globicephala), uma espécie de golfinho, encalhou na Baía de Tolsta, localizada na Escócia, em julho de 2023 e chocou o mundo. Apenas uma delas sobreviveu, enquanto o restante não resistiu ou morreu por eutánasia para evitar o sofrimento. Somente no início deste ano um relatório produzido pelo governo escocês apontou as causas da tragédia.
Segundo o documento, fatores biológicos, sociais e ambientais foram os responsáveis pelo ocorrido.
Por serem animais sociáveis e viverem em grupos, uma das principais motivações para o encalhe foi o parto complicado de uma fêmea. Os membros do bando a protegeram para não deixar a companheira vulnerável a predadores. Como ela estava nadando para a costa, os golfinhos foram atrás dela e, na hora de voltar, as águas estavam rasas demais, provocando o encalhamento em massa.
A Scottish Marine Animal Stranding Scheme (Smass, na sigla em inglês), órgão de pesquisa marinha financiado pelo governo escocês, apurou os fatos e os resultados da investigação foram publicados na última quinta-feira (5/3).
Encalhamento dos golfinhos
A análise mostrou que os animais estavam saudáveis, descartando a possibilidade de terem encalhado pela disseminação de alguma condição grave entre o grupo. O processo começou quando o bando passou a acompanhar uma fêmea em sofrimento para parir.
Ao chegar às águas rasas, fatores climáticos como ventos, correntes e o relevo da áreas contribuíram para dificultar ainda mais o retorno dos animais às regiões profundas do oceano.
“O evento em Tolsta serve como um lembrete de que encalhes em massa raramente são resultado de uma única causa. Em vez disso, surgem da junção da fisiologia individual, do comportamento social do grupo e das condições ambientais marinhas externas”, aponta o cientista-chefe da investigação, Andrew Brownlow, em entrevista ao portal britânico The Guardian.
O companheirismo e alta sociabilidade da espécie de golfinhos é algo natural, porém com as mudanças provocadas no oceano pelo aquecimento global, Brownlow afirma ser importante compreender como a interação entre todos os fatores funciona para evitar mais acidentes futuros provocados pelo comportamento nativo.
