Cientistas encontram fungo resistente às condições de Marte na Nasa
Pesquisadores da Nasa identificaram que o fungo Aspergillus calidoustus conseguiu resistir às condições extremas existentes em Marte
atualizado
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Junto da Lua, Marte é um dos principais alvos de exploração dos seres humanos. Mas a ida ao planeta vermelho pode contar com um convidado indesejado: os fungos. Ao analisar um local na Nasa que serve para a preparação de missões, pesquisadores encontraram cepas fúngicas mesmo após a limpeza – e uma delas se mostrou bastante resistente às condições do nosso vizinho planetário.
Não é incomum que algumas formas de vida peguem uma “carona” ao espaço durante missões. No entanto, são realizadas ações de descontaminação para minimizar os riscos. As regras atuais proíbem a ida de espaçonaves à Marte com mais de 300 esporos microbianos por metro quadrado.
Segundo o artigo 9 do Tratado do Espaço Exterior da Organização das Nações Unidas (ONU) de 1967, toda viagem ao espaço tem obrigação de evitar a contaminação de outros planetas.
Para um dos autores do estudo, o achado do fungo resistente ainda não é uma sentença de que Marte será contaminado, mas ajuda a quantificar o risco e evitar um acidente em potencial. “Os microrganismos podem possuir uma resiliência extraordinária a estresses ambientais”, explica Kasthuri Venkateswaran, em comunicado.
A descoberta foi liderada pelo próprio Venkateswaran, que é microbiologista do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados na revista Applied and Environmental Microbiology nessa segunda-feira (20/4).
Resistência de fungo achado na sala da Nasa chama atenção
O estudo começou com a coleta de amostras de salas limpas da Nasa utilizadas durante o programa Mars, realizado em 2020 com foco na exploração de Marte. O objetivo era achar esporos de fungos chamados conídios – mesmo com o ambiente descontaminado, foram identificadas 27 cepas fúngicas.
Em seguida, todas as amostras foram testadas em condições semelhantes às extremas de Marte, incluindo a radiação ultravioleta (UV) intensa, pressão muito baixa, frio extremo e a poeira do planeta, além da radiação cósmica enfrentada durante o deslocamento ao vizinho planetário.
De todos, o Aspergillus calidoustus foi o único a resistir à radiação UV, radiação ionizante e condições atmosféricas marcianas. O organismo só morreu após ser exposto por um bom tempo à alta radiação de Marte combinada com o frio extremo.
Apesar de ainda não representarem um perigo real de contaminação, os pesquisadores sugerem que os fungos não sejam mais negligenciados. Espécies do gênero Aspergillus estão associadas a doenças respiratórias.
“Essas investigações ajudam a refinar as estratégias de proteção planetária da Nasa e as abordagens de avaliação de risco microbiano para missões de exploração espacial atuais e futuras”, avalia Venkateswaran.
