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Ciência

Falhas geológicas da Califórnia atingem maior pressão em mil anos

Alimentado com dados do último milênio, modelo computacional indica que as falhas de San Andreas e San Jacinto estão sob grande pressão

18/06/2026 12:59, atualizado 18/06/2026 13:03
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Nicolo Sertorio / gettyimages
Imagem da falha de San Andreas San Jacinto, na Califórnia - Metrópoles

Conforme um estudo publicado no Journal of Geophysical Research, neste mês de junho, foi identificada uma maior tensão tectônica nos sistemas de falhas de San Andreas e San Jacinto, no sul da Califórnia, Estados Unidos, que superou os níveis mais altos dos últimos mil anos.

Segundo os cientistas, estima-se que essa área conhecida como “O Grande Terremoto da Califórnia”, localizada a nordeste de Los Angeles, no Cajon Pass, acumula há séculos pressão tectônica de forma silenciosa e constante. Essa estimativa foi possível porque os pesquisadores criaram um modelo computacional que tem se alimentado de dados geológicos e históricos do acúmulo de energia do último milênio.

As duas falhas correspondem a cerca de 90% dos deslizamentos tectônicos ocorridos entre a placa norte-americana e a placa do Pacífico no sul da Califórnia. Isso, de acordo com os cientistas, cria uma pressão imensa no local, estimada de 2,8 MP no trecho de Mojave e 3,6 MP no trecho San Jacinto Bernardino.

A pesquisa mostra que a região passa por um estado de carga crítica, já que há 160 anos não há nenhuma grande ruptura. “Nossos resultados mostram que os níveis de tensão em múltiplos segmentos de falha estão agora em níveis iguais ou superiores aos mais altos observados no último milênio e que a região pode ser capaz de sofrer uma grande ruptura que abranja ambos os sistemas de falhas”, disse a autora principal do estudo, Liliane Burkhard, que é pesquisadora afiliada ao Instituto de Geofísica e Planetologia do Havaí e cientista da Universidade de Berna, na Suíça, em comunicado.

Ela destaca que a região do Cajon Pass funciona como uma espécie de “portal de terremotos”, dependendo do alinhamento das tensões, para poder bloquear ou permitir uma grande ruptura conjunta de ambos os sistemas de falhas.

De acordo com a pesquisadora, um possível cenário de ruptura dupla seria consideravelmente prejudicial, pois afetaria áreas com grandes densidades populacionais dos Estados Unidos, como Los Angeles, San Bernardino, Riverside e o Vale de Coachella. Além disso, as duas falhas estão localizadas em pontos que concentram rodovias, ferrovias e corredores de energia da região metropolitana de Los Angeles.

Conforme reforçam os autores, o estudo não é uma previsão de um terremoto, mas sim um refinamento de avaliações de risco sísmico. “O que podemos afirmar é que o sistema está criticamente sob pressão e que modelos baseados em princípios físicos, como este, nos fornecem uma visão mais clara da gama de cenários para os quais devemos estar preparados”, diz a autora principal da pesquisa.