Cientistas investigam exolua nove vezes maior que Netuno
Além de lua gigante, pesquisadores observaram o movimento de vai e vem na órbita entre o exoplaneta HD 206893 B e o satélite
atualizado
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Investigações sobre um planeta gigante e gasoso, além do nosso Sistema Solar, sugerem a existência de uma lua até nove vezes maior que Netuno e com 40% do tamanho de Júpiter. Para os cientistas, isso é tão grande que poderia colocar em questão a definição da palavra “lua”.
Para se ter uma ideia, a Lua que orbita a Terra tem 3,4 mil km de diâmetro, enquanto Netuno tem cerca de 49 mil km. A pesquisa liderada pelo astrônomo Quentin Kral, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, teve os resultados preliminares publicados em versão pré-print no arXiv, em novembro de 2025.
A equipe de Kral detectou a lua orbitando no exoplaneta HD 206893 B, um gigante gasoso com 28 vezes a massa de Júpiter , que orbita uma estrela jovem localizada a cerca de 133 anos-luz da Terra. Isso foi possível com o auxílio do Very Large Telescope (VLT), um instrumento óptico localizado no Chile. Indícios da presença da exolua foram achados pela ferramenta Gravity, um infravermelho de alta precisão presente no VLT.
“A descoberta naturalmente levanta a questão de se tal objeto deveria sequer ser chamado de lua. Atualmente não existe uma definição oficial de exolua e, na prática, os astrônomos geralmente se referem a qualquer objeto que orbita um planeta ou companheiro subestelar como uma lua”, aponta Kral, em entrevista ao portal Space.
Os pesquisadores também observaram um movimento totalmente distinto da relação habitual entre planetas e satélites em um sistema: além do deslocamento orbital comum, o exoplaneta apresentava um movimento oscilante de vai e vem com a lua.
“Esse tipo de sinal é exatamente o que se esperaria se o objeto estivesse sendo puxado por uma companheira invisível, como uma lua grande, tornando esse sistema um candidato particularmente intrigante para abrigar uma exolua”, explica o astrônomo da Universidade de Cambridge.
Descoberta da lua gigante
Através do Gravity, os cientistas utilizaram uma técnica responsável por medir com precisão a posição de estrelas e outros objetos no espaço, a astrometria. A técnica não é nova e já foi usada para revelar detalhes sobre outros exoplanetas e anãs marrons – também chamadas de “estrelas falhadas”.
De acordo com os resultados, o HD 206893 B tem uma companheira natural que se aproxima a cada nove meses. Também foi descoberta uma inclinação em cerca de 60º na órbita da exolua, indicando que alguma interação cósmica pode ter influenciado o sistema entre eles.
A estimativa dos pesquisadores é que a lua gigante tem nove vezes a massa de Netuno e quase metade da de Júpiter, ambos planetas muito grandes. “Em nosso Sistema Solar, a lua mais massiva é Ganimedes, que ainda é extremamente pequena em comparação com o que estamos inferindo aqui”, diz Kral.
O artigo sobre o achado ainda passará por avaliação de outros especialistas. A expectativa dos cientistas é que a ratificação da descoberta coloque a astrometria como uma técnica com potencial para encontrar novas luas gigantes por aí.
