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Apuração pelo Brasil

Ciência

"Espantalhos flutuantes" ajudam a evitar morte de milhares de aves marinhas

Cientistas do Reino Unido criaram um dispositivo que reduz a morte de 95 mil aves marinhas por ano

05/10/2026 18:39
Reprodução Conservation Letters/Imagem cortesia de Ricardo Caslake
Imagem colorida do espantalho flutuante - Metrópoles

Cientistas do Reino Unido criaram um “espantalho flutuante” para evitar a morte de milhares de aves marinhas na costa da Cornualha, no sudoeste da Inglaterra. O dispositivo e uma pipa que lembra o formato de uma ave de rapina diminuíram em cerca de dois terços o número de animais presos em redes de pesca, em testes na região.

Acredita-se que, por ano, aproximadamente 95 mil aves mergulhadoras, como o airo-comum e o airo-de-asa-branca, morram afogadas presas a redes de emalhar — equipamentos de pesca formados por cortinas instaladas ao longo da costa europeia.

O dispositivo chamado Looming Eye Buoy (LEB) — ou “boia de olhos ameaçadores”, na tradução para o português — foi desenvolvido por cientistas da Fishtek Marine em parceria com a organização de conservação RSPB. Os resultados da pesquisa foram publicados em 30 de setembro na revista científica Conservation Letters.

Como funciona o dispositivo

Os testes foram realizados com dois equipamentos: uma boia e uma pipa comercial com formato de ave de rapina. Ambos têm o objetivo de assustar os animais, afastando-os das áreas de pesca que contêm as redes.

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Para obter os resultados, os cientistas contaram com a ajuda de 10 pescadores locais. Eles instalaram câmeras nos barcos deles e registraram, durante dois anos, os efeitos dos dispositivos sobre a captura acidental do animal.

“Este estudo fornece algumas das evidências mais robustas até o momento de que medidas inibidoras simples e práticas podem reduzir substancialmente a captura acidental de aves marinhas em pescarias com redes de emalhar”, disse, em comunicado, Tom Horton, autor principal do estudo e pesquisador da Universidade de Exeter.

Resultados dos dispositivos

Os resultados foram obtidos separadamente para cada dispositivo, e os dados foram enviados à Universidade de Exeter para análise dos cientistas. As boias LEB diminuíram em 59% as capturas dessas aves nas redes. Já a pipa reduziu essas capturas em 71%.

Segundo os autores do estudo, a participação dos pescadores foi fundamental, pois, com a ajuda deles, foi possível identificar os lugares em que os dispositivos podem ser mais úteis.

Na costa da Cornualha, o inverno foi o período em que mais houve ocorrência de captura de aves marinhas, concentrada em locais específicos. Esses dados permitem que os dispositivos sejam colocados nesses pontos estratégicos, e não em regiões aleatórias.

Equilíbrio entre a proteção das aves e a pesca

Além do foco de proteger as aves, o estudo previa também encontrar um jeito de não prejudicar a pesca. De acordo com os pesquisadores, era preciso uma tecnologia simples e resistente, e a parceria com os pescadores da região ajudou os cientistas a entender a rotina deles para instalar o dispositivo.

Segundo a RSPB, outras tecnologias já haviam mostrado eficácia de 90% na diminuição de capturas de aves em outras regiões, como na Namíbia, por exemplo, onde foram instaladas as “linhas espanta-aves”, que reduziram o problema em 98% em barcos de pesca com palangre (ou espinhel), enquanto na África do Sul a diminuição chegou a 95% em arrastões de pesca.

Para os próximos passos, os cientistas pretendem manter a parceria entre a RSPB, a Universidade de Exeter e os pescadores, a fim de aperfeiçoar a tecnologia para a criação de novos dispositivos.