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Ciência

Equipe resgata botos vulneráveis à extinção que estavam isolados pela seca

Os seis botos foram achados em três pontos diferentes no rio Urubu, no Tocantins. Dois deles estavam debilitados e desidratados

02/09/2026 16:55
Divulgação/© Naturatins/ SEMA Lagoa da Confusão
Imagem colorida mostra botos resgatados em TO - Metrópoles

Equipes especializadas resgataram botos-do-Araguaia (Inia araguaiaensis), uma espécie endêmica da região, que estavam isolados pela seca extrema nas águas do rio Urubu, no Tocantins. Ao todo, foram localizados seis animais em risco.

A operação emergencial, realizada de 21 a 24 de agosto, teve a participação de várias instituições brasileiras e contou com uma rede de veterinários experientes em resgate de cetáceos amazônicos e operações em ambientes desafiadores.

Inicialmente, cinco botos foram encontrados isolados no rio: dois deles retidos em uma poça próxima a um barramento e três presos em uma segunda poça, a 500 metros da primeira e sem qualquer conexão hídrica entre elas. A identificação do sexto animal só foi possível por meio do uso de drones e caiaques, totalizando três áreas de fragmentação dos animais pela redução do nível da água.

“A seca compromete a conectividade entre as paisagens, algo que é essencial para a movimentação e a sobrevivência do boto-do-Araguaia. Isso é extremamente preocupante, porque os botos são indicadores da saúde do habitat: quando eles sofrem, é sinal de que todo o ecossistema aquático está sob estresse”, afirma a analista de conservação do WWF-Brasil, Mariana Frias, em comunicado.

Do total, apenas dois botos, mais debilitados, foram transferidos para outros pontos com maior profundidade. Um deles apresentava sinais de inanição e desidratação pela exposição ao sol. Os quatro restantes estão sendo monitorados constantemente pelas equipes e, caso haja alterações no comportamento ou condição dos bichos, os veterinários irão agir.

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Risco para os botos, espécie endêmica brasileira

Os botos-do-Araguaia são de uma espécie restrita à bacia dos rios Tocantins-Araguaia e, atualmente, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) classifica a situação do animal como vulnerável à extinção. Estima-se que existam menos de 1,5 mil indivíduos na população da espécie.

Com a redução do rio, os animais ficam mais suscetíveis a prejuízos populacionais, pois perdem áreas de movimentação e sobrevivência. Além disso, os meses de seca, de maio a outubro, trazem uma incidência solar e uma radiação térmica maior para a região, o que pode provocar superaquecimento das águas e das poças formadas.

Ainda segundo Mariana, ainda não é possível afirmar que a seca extrema na região é consequência do El Niño, apesar de o fenômeno já estar estabelecido. Porém, o clima atual traz um alerta. “Essa seca é um indicativo da fragilidade do Cerrado a qualquer evento climático extremo que ocorra nos próximos meses”, ressalta a especialista.