Estudo diz que dinossauro usava nariz para resfriar a própria cabeça

Estudo com fósseis sugere que o Triceratops, dinossauro que viveu há 66 milhões de anos, tinha um sistema nasal que controlava o calor

atualizado

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1 de 1 Foto colorida de dinossauro Triceratops - Estudo indica que dinossauro usou nariz para resfriar a própria cabeça - Metrópoles - Foto: Shutterstock

Um dos dinossauros mais famosos da pré-história, o Triceratops — conhecido pelos três chifres e por ter uma cabeça enorme — pode ter usado o próprio nariz como uma espécie de sistema de resfriamento natural.

Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Tóquio, publicado em 7 de fevereiro na revista American Association for Anatomy, analisou fósseis do animal e concluiu que as cavidades nasais eram muito maiores e mais complexas do que se pensava. 

Segundo os cientistas, a estrutura pode ter ajudado a regular a temperatura e a umidade do corpo, principalmente por causa do tamanho da cabeça do dinossauro, que podia medir entre 2 e 3 metros de comprimento. O crânio representa aproximadamente um terço do tamanho total do corpo do animal.

Nariz pode ter funcionado como regulador térmico

Os pesquisadores identificaram que o interior do nariz do Triceratops não servia só para o olfato. As cavidades nasais grandes provavelmente aumentavam a área de contato entre o ar e os vasos sanguíneos, facilitando a troca de calor.

A hipótese é que esse mecanismo ajudava a evitar o superaquecimento, algo especialmente importante em um animal com uma cabeça tão grande e pesada.

Além disso, há indícios de que o dinossauro possuía estruturas chamadas cornetos respiratórios — formações ósseas pequenas que ajudam a conservar umidade e a controlar a temperatura do ar inspirado pelo animal.

Os cornetos são estruturas comuns em aves (descendentes dos dinossauros), e em mamíferos, mas raramente deixam vestígios claros no fóssil. No caso do Triceratops, os pesquisadores identificaram uma crista óssea parecida com a que serve de base para esses cornetos em aves atuais, o que sustenta a hipótese de que eles também estariam presentes no dinossauro.

Como o estudo foi feito

Os cientistas já sabiam que os dinossauros com chifres, grupo conhecido como Ceratopsia, possuíam cavidades nasais grandes. O que ainda era pouco entendido era como nervos, vasos sanguíneos e vias aéreas se organizavam dentro desse espaço.

Para chegar às conclusões, os cientistas usaram tomografias computadorizadas de crânios fossilizados. A tecnologia permitiu observar detalhes de dentro do animal que não são visíveis a olho nu.

Com base nas imagens, a equipe reconstruiu virtualmente o caminho de nervos, vasos sanguíneos e vias aéreas dentro do crânio. Os dados também foram comparados com a anatomia de animais atuais, como aves e crocodilos, para estimar como seriam os tecidos moles que não se preservaram ao longo de milhões de anos.

A análise revelou uma organização interna diferente da observada na maioria dos répteis, sugerindo que o sistema nasal do Triceratops passou por adaptações específicas para sustentar o seu tamanho fora do comum.

Na maioria dos répteis, os nervos e os vasos sanguíneos chegam às narinas por meio da mandíbula e do focinho. Porém, no caso do Triceratops, o próprio formato do crânio bloqueava esse caminho tradicional. Por isso, como uma nova alternativa, as estruturas passavam pela região nasal.

Embora não haja consenso de que o Triceratops fosse completamente de sangue quente, o tamanho da sua cabeça já representava um desafio térmico para o animal. É exatamente por isso que o sistema nasal do dinossauro ajudou a estabilizar a temperatura interna e evitar superaquecimento.

Descoberta ajuda a entender melhor o dinossauro

Embora seja um dos dinossauros mais populares do mundo, ainda se sabe pouco sobre como era a parte interna da cabeça do Triceratops. Os ossos se preservaram, mas estruturas como vasos sanguíneos, nervos e cartilagens desapareceram com o tempo.

Ao reconstruir como funcionava o nariz do animal, o estudo ajuda a esclarecer como os tecidos internos se organizavam dentro de um crânio tão grande. Agora, os pesquisadores querem avançar para outras regiões da cabeça, como a grande gola óssea na parte de trás do crânio.

A ideia dos pesquisadores é entender melhor como essas estruturas influenciavam a sobrevivência do animal e sua adaptação ao ambiente há cerca de 66 milhões de anos atrás.

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