Coleção bicentenária de Darwin é examinada sem a abertura dos potes
Para analisar a coleção do naturalista Charles Darwin sem precisar abri-las, os pesquisadores utilizaram uma técnica avançada de laser
atualizado
Compartilhar notícia

Em meados do século 19, quando o naturalista Charles Darwin viajou pelo mundo para coletar espécimes, ele guardou exemplares colhidos das Ilhas Galápagos, no Equador. Atualmente, a coleção está guardada no Museu de História Natural de Londres e o conteúdo dos potes, para preservar os animais, foi examinado recentemente por pesquisadores internacionais.
O que mais chamou a atenção na análise é que os frascos foram examinados sem precisar abri-los. A abertura poderia prejudicar ou até evaporar as amostras. Para evitar isso, os cientistas utilizaram um método de espectroscopia a laser, uma técnica que usa feixes de luz para interagir com a matéria analisada e identificar os componentes químicos dela.
As investigações ocorreram em uma colaboração entre o Conselho de Instalações de Ciência e Tecnologia (STFC, na sigla em inglês), a Agilent Technologies (empresa global de tecnologia) e o Museu de História Natural de Londres. Ambas as instituições são do Reino Unido.
Os resultados das descobertas foram publicados na revista científica ACS Omega em 13 de janeiro.
Análise da coleção de Darwin
Foram analisados 46 espécimes armazenados no Museu de História Natural. Entre eles, haviam mamíferos, répteis, peixes, águas-vivas e camarões históricos, coletados durante a expedição de Darwin e outros naturalistas.
Através de um método de espectroscopia a laser chamado Espectroscopia Raman com Deslocamento Espacial (Sors, na sigla em inglês), foi possível examinar a composição química dos líquidos que preservavam os animais, mesmo sem abrir os potes.
Quando é apontada para dentro do frasco, a luz do laser consegue medir a dispersão e a reflexão da luminosidade. Assim, as mudanças no comprimento de onda revelam as assinaturas químicas das substâncias presentes nos potes.
A técnica não invasiva determinou corretamente em cerca de 80% das amostras analisadas. Por meio do laser, também foi possível saber se o pote era de vidro ou plástico.
“Até agora, entender qual fluido de preservação havia em cada frasco significava abri-los, o que acarretava riscos de evaporação, contaminação e exposição das amostras a danos ambientais. Essa técnica nos permite monitorar e cuidar desses espécimes inestimáveis sem comprometer sua integridade”, diz uma das autoras do artigo, Sara Mosca, em comunicado.
Os resultados mostraram que a maioria dos mamíferos e répteis eram banhados na formalina antes de serem armazenados em etanol. Já invertebrados eram guardados em uma solução com mais líquidos.
Pode parecer um detalhe bobo, mas saber qual é a composição química do líquido que preserva a amostra é importante para o monitorar o estado das coleções. Se a substância sumir em decorrência de algum processo, o espécime pode se degradar junto.
“Analisar as condições de armazenamento de espécimes preciosos e compreender o fluido em que são mantidos pode ter enormes implicações na forma como cuidamos das coleções e as preservamos para futuras pesquisas nos próximos anos”, finaliza uma das autoras do estudo, Wren Montgomery, do Museu de História Natural.
