Criatura misteriosa vista no Peru é identificada como novo marsupial
Pesquisadores encontraram nas montanhas do Peru uma nova espécie de gambá-anão, o Marmosa chachapoya, nunca antes descrita pela ciência
atualizado
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Olhos e orelhas gigantes e um nariz finíssimo. Estas caracteristicas de um pequeno mamífero desconhecido encontrado durante uma expedição ao Parque Nacional do Rio Abiseo, nos Andes peruanos, levaram pesquisadores a descobrir uma nova espécie de marsupial do grupo dos gambás-anões.
Liderados pela bióloga Silvia Pavan, da Universidade Politécnica Estadual da Califórnia, nos Estados Unidos, os grupos toparam com a simpática e misteriosa criatura enquanto faziam o passeio pelo parque, que é Patrimônio Mundial da Unesco e reconhecido por ter biodiversidade única.
O cientistas buscavam uma espécie de esquilo que já existisse. No entanto, encontraram um novo marsupial, pertencente ao grupo dos gambás-anões, o que surpreendeu a todos. “Percebi imediatamente que era algo incomum”, conta Pavan. O animal foi localizado próximo a um sítio arqueológico, em uma altitude onde geralmente não se encontra esse tipo de espécie.
Os marsupiais são um grupo diverso de mamíferos que se destacam pela presença de um marsúpio, ou bolsa, onde os filhotes completam o desenvolvimento. Entre seus representantes estão os gambás e os cangurus.

Características e identificação do animal
O pequeno mamífero mede cerca de 22 centímetros, o que inclui a cauda, mas considerando apenas o corpo ele mal chega aos 10 centímetros. O marsupial tem pelagem castanho-avermelhada e marcas faciais que lembram uma máscara. Apenas um animal da espécie foi identificado até o momento.
Para confirmar a novidade, o grupo analisou o DNA do bichinho e comparou traços físicos com espécimes de museus ao redor do mundo. A análise levou anos, pois foi preciso descartar qualquer possibilidade de que a espécie já tivesse sido descrita, mas com outras características anatômicas.
O estudo completo foi publicado em junho na revista American Museum Novitates. O marsupial recebeu o nome de Marmosa chachapoya, em homenagem à antiga civilização que habitava a região antes da chegada dos incas.
Conexões com o passado e o futuro
Os Chachapoya viveram no norte do Peru entre os anos 800 e 1470. Eles eram conhecidos como “povo da floresta nublada”, construíam suas moradias em cumes de montanhas, deixaram vestígios espalhados pelo parque e conviveram com povos incas.
Mais de 30 sítios arqueológicos já foram registrados na área. O Parque Nacional do Rio Abiseo também abriga espécies ameaçadas, como o macaco-barrigudo-de-cauda-amarela, antes considerado extinto.
Além do Marmosa chachapoya, a expedição encontrou outros animais ainda não descritos formalmente. Entre eles está um roedor semi-aquático, também inédito na literatura científica, que ainda está sob estudo para saber se é, de fato, uma espécie inédita.
Biodiversidade ainda desconhecida
“Sabemos muito pouco sobre essa espécie, incluindo sua história natural e distribuição geográfica”, destaca Pavan em comunicado à imprensa. Ela acrescenta a importância da conservação em regiões remotas como são os sítios arqueológicos.
As descobertas reforçam o papel vital de áreas protegidas na preservação da biodiversidade. Regiões como o Rio Abiseo podem abrigar dezenas de espécies desconhecidas, muitas delas em risco sem que sequer se saiba de sua existência.
“É um lembrete da importância crítica da exploração científica e da conservação em áreas como o Rio Abiseo”, concluiu Pavan. O trabalho continua, na esperança de que mais criaturas ocultas nas florestas andinas sejam descobertas.
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