Professores explicam como funcionam os rios voadores da Amazônia

Fenômeno conhecido como “rios voadores” transporta umidade da Amazônia e ajuda a garantir chuvas em grande parte do Brasil

atualizado

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Vista aérea de uma floresta- Metrópoles
1 de 1 Vista aérea de uma floresta- Metrópoles - Foto: Freepik

Invisíveis a olho nu, os chamados rios voadores formam um dos sistemas naturais mais importantes para o clima do Brasil. O fenômeno atmosférico transporta enormes volumes de vapor d’água da Amazônia para outras regiões do país, influenciando diretamente o regime de chuvas e o equilíbrio climático.

Segundo o professor de geografia Flávio Bueno, do Colégio Sigma, os rios voadores são fluxos intensos de umidade que circulam na atmosfera. “Tecnicamente, são chamados de jatos de baixos níveis: correntes de ar carregadas de vapor que se deslocam na troposfera inferior, entre cerca de 1,5 mil e 3 mil metros de altitude”, explica.

As correntes transportam umidade da região amazônica principalmente para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. O nome “rios voadores” é uma metáfora usada pelos cientistas para explicar o enorme volume de água que circula no ar, comparável ao fluxo de grandes rios.

Como esse fenômeno se forma

A formação dos rios voadores começa no Oceano Atlântico. Ventos conhecidos como alísios levam umidade para o continente, que precipita sobre a Amazônia. A partir daí, entra em ação o papel da floresta.

De acordo com a professora de geografia Cláudia Pinheiro, da Universidade Católica de Brasília, a floresta atua como um verdadeiro motor climático. “A evapotranspiração das árvores devolve grandes quantidades de vapor d’água à atmosfera, recarregando continuamente o ar com umidade”, afirma.

Esse processo mantém o fluxo de vapor ativo, formando corredores atmosféricos que transportam água por milhares de quilômetros.

A Amazônia como “bomba de umidade”

A floresta amazônica funciona como uma gigantesca bomba biótica de umidade. Árvores de grande porte podem liberar mais de 300 litros de água por dia na atmosfera por meio da transpiração.

Segundo Bueno, essa reposição constante de vapor mantém o ciclo hidrológico ativo. “A floresta age como uma espécie de motor que sustenta o transporte de umidade para outras regiões do país”, diz.

Quando esse fluxo encontra a barreira da Cordilheira dos Andes, ele é desviado para o sul e sudeste do continente, levando umidade para áreas onde vivem milhões de brasileiros.

Influência nas chuvas do Brasil

Os rios voadores são fundamentais para o regime de chuvas em várias regiões do país. Quando as correntes úmidas interagem com sistemas meteorológicos, como frentes frias vindas do sul, ocorre a condensação do vapor e a formação de chuva.

“Grande parte da água que abastece represas, agricultura e cidades no Centro-Oeste, Sudeste e Sul depende dessa circulação atmosférica”, explica Cláudia.

Além de garantir precipitações, os fluxos também ajudam a regular a temperatura e reduzir períodos prolongados de seca.

Especialistas alertam que o desmatamento pode enfraquecer os rios voadores. A redução da cobertura florestal diminui a evapotranspiração, reduzindo a quantidade de vapor disponível na atmosfera.

Com menos árvores liberando umidade, o transporte de água pelo ar tende a diminuir, o que pode resultar em chuvas mais escassas e irregulares.

“Sem a floresta funcionando plenamente, todo o sistema de transporte de umidade perde força”, afirma Bueno.

Consequências para o clima do país

O enfraquecimento dos rios voadores pode provocar efeitos climáticos significativos, como secas mais frequentes, aumento de temperatura e instabilidade no regime de chuvas.

Cláudia explica que o impacto vai além do meio ambiente. “O sistema é essencial para a segurança hídrica, energética e alimentar do país, já que influencia desde reservatórios de hidrelétricas até a produção agrícola”, diz.

Por isso, pesquisadores destacam que preservar a Amazônia não é apenas uma questão ambiental, mas também estratégica para o futuro climático e econômico do Brasil.

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