Possível impacto de asteroide na Lua em 2032 causará clarão na Terra
Agências espaciais como a Nasa e a ESA calculam que as chances do asteroide 2024 YR4 atingir a Lua em 2032 são de 4% a 4,3%
atualizado
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Um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, mostra que o possível impacto entre o asteroide 2024 YR4 com a Lua em 2032 deve causar um clarão na Terra.
Com 60 metros de diâmetro, o asteroide tem tamanho semelhante à altura de um prédio de 15 andares. A expectativa é que a colisão com a Lua libere uma energia equivalente a 6,5 milhões de toneladas de TNT, se tornando o maior impacto no satélite já registrado durante a era moderna.
Descoberto em dezembro de 2024, o 2024 YR4 já deu muito o que falar na comunidade científica. Logo após sua identificação, surgiu a hipótese de que ele poderia atingir a Terra em dezembro de 2032, o que foi descartado posteriormente. Agora, a maior possibilidade é que ele se choque com a Lua.
Estimativas mais recentes de Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) e da Nasa indicam que o evento tem de 4% a 4,3% chances de ocorrer.
De acordo com o novo estudo, liderado pelo pesquisador Yifei Jiao em parceria com outros cientistas, essa colisão não deve trazer riscos diretos para a Terra. Os resultados foram publicados em versão pré-print no arXiv em 15 de janeiro e ainda precisam ser revisados por pares.
Cenários da colisão do asteroide com a Lua
Para entender o que poderia ocorrer no satélite natural e no nosso planeta, os cientistas simularam 10 mil cenários, criando modelos computacionais de todo o nosso Sistema Solar e o asteroide. A partir da tecnologia, foi possível prever quais as áreas mais prováveis do objeto atingir a Lua.
Segundo os resultados, a batida deve ocorrer em um dos pontos de trecho lunar que se estende por cerca de 3 mil quilômetros. A região prevista fica ao norte da cratera Tycho, localizada nas terras altas do hemisfério sul da Lua.
Assim que colidir com o satélite natural, o impacto do asteroide geraria um clarão tão brilhante quanto o de uma estrela, semelhante à luminosidade de Vênus no céu noturno. O evento duraria de três a cinco minutos.
A previsão dos pesquisadores é que a batida ocorra aproximadamente às 10h19 da manhã, no horário padrão do leste dos EUA (12h19, no horário de Brasília). Em lugares onde a Lua já tenha nascido, como o leste Asiático, Oceania, Havaí e o oeste da América do Norte, a visibilidade do clarão será melhor.
O que pode atrapalhar a observação do evento é que, em 22 de dezembro (dia previsto para a colisão), a Lua estará 70% iluminada. O clarão só seria mais visível se o asteroide caísse na parte lunar escura – de acordo com os cientistas, a chance disso ocorrer é de apenas 2,85%. Mesmo assim, em qualquer dos cenários, telescópios amadores poderiam detectar o brilho no céu.
A colisão ainda poderia gerar clarões secundários menores, mediante rochas lunares, e chuvas de meteoros na Terra por meio de pequenos pedaços da Lua lançados pela colisão.
“Se esse cenário se concretizar, será um marco para a ciência planetária, transformando o sistema Terra-Lua em um grande palco para validar nossa compreensão dos impactos de asteroides”, aponta Yixuan Wu em entrevista ao portal Live Science.
