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Cocô de pássaro fez reino peruano prosperar economicamente. Entenda

Estudo mostra como o Reino de Chincha, no Peru, utilizou o cocô dos pássaros para resolver o problema da infertilidade da terra

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1 de 1 Imagem colorida mostra aves que produzem guano - Metrópoles - Foto: Divulgação/Diego H./Claude Kolwelter/iNaturalist.org

Por ter grande parte do território seco, a agricultura do Peru sempre enfrentou dificuldades. Mas para superá-las, o Reino de Chincha resolveu utilizar um recurso natural inesperado: o cocô dos pássaros. Através do guano, um excremento das aves rico em nutrientes, a civilização costeira pré-incaica conseguiu impulsionar a produção de milho e se posicionar economicamente. 

A descoberta veio através da análise de 35 amostras de milhos achadas em túmulos no Vale de Chincha. O local abrigou uma população estimada em 100 mil pessoas entre os anos 900 e 1450 d.C..

“O guano impulsionou drasticamente a produção de milho, e esse excedente agrícola ajudou crucialmente a alimentar a economia do Reino de Chincha, impulsionando seu comércio, riqueza, crescimento populacional e influência regional, além de moldar a aliança estratégica com o Império Inca”, afirma o autor principal do estudo, Jacob Bongers, em comunicado.

A descoberta liderada por Bongers, que é arqueólogo da Universidade de Sydney, na Austrália, teve os resultados publicados na revista Plos One em 11 de fevereiro.

Cocô de pássaro: a fonte de riqueza do reinado

Foram identificados grandes níveis de nitrogênio nas partes de milho encontradas, indicando que as plantações à época foram fertilizadas com o guano das aves. O excremento é rico no elemento químico devido a dieta dos animais.

Imagens arqueológicas representadas em tecidos, cerâmicas, peças de barro, esculturas em paredes e pinturas recuperadas no local mostravam aves marinhas, peixes e espigas de milho germinando, reforçando ainda mais o papel de importância das fezes dos pássaros para o reinado pré-Inca.

Para os pesquisadores, todas as evidências confirmam o mesmo que pesquisas anteriores já afirmavam: o guano era um fertilizante altamente utilizado pelas civilizações antigas. 

“O guano provavelmente foi coletado nas ilhas Chincha, próximas dali, conhecidas por seus abundantes depósitos de guano de alta qualidade. Escritos da era colonial que estudamos relatam que comunidades ao longo da costa do Peru e do norte do Chile navegavam em jangadas até várias ilhas próximas para coletar excrementos de aves marinhas para fertilização”, conta Bongers.

Com um papel alimentar e econômico tão importante, os cientistas afirmam que o guano tinha significado cultural profundo para as populações arcaicas. “As pessoas reconheciam o poder excepcional desse fertilizante e celebravam, protegiam e até ritualizavam ativamente a relação vital entre as aves marinhas e a agricultura”, diz o arqueólogo.

Por fim, os pesquisadores apontam que a descoberta demonstra como os recursos naturais foram importantes no desenvolvimento das civilizações antigas e como eles eram tratados como riqueza épocas atrás.

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