Chuva em Juiz de Fora: frente fria, oceano e relevo explicam tragédia
Em três horas, a cidade registrou 191 mm de chuva. Combinação de fatores atmosféricos e geográficos intensificou ainda mais o desastre
atualizado
Compartilhar notícia

A chuva que atingiu Juiz de Fora e deixou mais de 20 mortos foi resultado da combinação de uma frente fria no oceano, mar mais quente que o normal e o relevo montanhoso da cidade. Em apenas três horas, foram registrados 191 milímetros de chuva — volume superior ao esperado para todo o mês.
Segundo o meteorologista Natálio Abrahão, do Climatempo, a frente fria que estava posicionada no litoral do Sudeste funcionou como um canal de umidade, levando mais vapor d’água do oceano para o interior de Minas Gerais e fortalecendo as áreas de instabilidade sobre a cidade.
“A presença de uma frente fria no oceano induziu o aporte de umidade para o continente, reforçando as nuvens de trovoadas em Juiz de Fora”, explica.
Além da frente fria, o oceano apresentava temperaturas acima da média. O mar mais aquecido favorece maior evaporação, o que significa mais vapor d’água disponível na atmosfera, o principal combustível das tempestades.
Com mais calor e umidade no ar, as nuvens se desenvolvem com maior intensidade e conseguem produzir volumes altos de chuva em pouco tempo. As altas temperaturas registradas nos dias anteriores também contribuíram para deixar a atmosfera mais instável.
Relevo favoreceu a concentração da chuva
A geografia de Juiz de Fora teve papel decisivo na gravidade do episódio. A cidade está localizada em uma área cercada por morros e serras, característica típica da Zona da Mata. O relevo irregular favorece a elevação do ar quente e úmido, processo que intensifica a formação das nuvens carregadas.
Além disso, o formato do terreno pode dificultar a dispersão das áreas de instabilidade, mantendo as nuvens concentradas sobre a mesma região por mais tempo.
Com 191 mm acumulados em apenas três horas e o solo já encharcado, a água escoou bem rápido pelas encostas, causando enxurradas e deslizamentos. Em encostas ocupadas e vulneráveis, o impacto foi ainda maior.
Ainda há riscos nos próximos dias
De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o alerta extremo deve seguir sobre a cidade. Isso porque o solo já está muito encharcado e a chuva deve voltar com intensidade entre quinta-feira (26/2) e sexta-feira (27/2).
A cidade está em situação de calamidade pública e foi montado um esquema de acompanhamento para atender os atingidos e também fazer a proteção para os possíveis riscos dos próximos dias.
