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Como treinar sua ave? Conheça espécie parecida com personagem de filme

Noitibó-orelhudo é uma ave que tem viralizado nas redes por ser sósia do Banguela, personagem do filme Como Treinar Seu Dragão (2010)

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Imagem colorida mostra ave noitibó-orelhudo (Lyncornis macrotis) - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra ave noitibó-orelhudo (Lyncornis macrotis) - Metrópoles - Foto: Banu R/Getty Images

Na história do filme Como Treinar o Seu Dragão (2010), um jovem viking encontra o animal e os dois viram companheiros inseparáveis. Apesar de ser uma história fictícia, no mundo real, o Banguela (nome do dragão no filme) possui um “sósia” entre as aves: o noitibó-orelhudo (Lyncornis macrotis), que possui o formato da cabeça muito parecido com o astro das telinhas.

O animal curioso pertence à família Caprimulgidae, que engloba noitibós, curiangos e bacuraus. O grupo do noitibó-orelhudo está espalhado em grande parte do mundo, como na América do Sul, Ásia e Europa.

Mas, para quem tem esperanças de achar um desses por aqui, é melhor desistir: apesar de ser parente dos bacuraus, uma espécie presente no Brasil, o sósia do Banguela é endêmico da Ásia, estando presente apenas em países como Tailândia, Vietnã, Camboja, Laos, Mianmar, Índia, China, Bangladesh, Filipinas e Indonésia. No máximo, a espécie é achada em algumas regiões da Oceania.

Como o próprio nome diz, em comparação a outros exemplares da espécie, o noitibó-orelhudo se destaca pelas suas “orelhas” e por não possuir manchas brancas nas asas e na cauda, algo bastante característico em bacuraus, por exemplo.

“As ‘orelhas’ na verdade são tufos auriculares, semelhantes aos que algumas corujas possuem. Os ouvidos verdadeiros ficam escondidos sob as penas, atrás e abaixo dos olhos, como acontece com as aves em geral”, explica o biólogo ornitólogo Pedro Vogeley, da Universidade de Brasília (UnB).

Segundo o guia de observação de aves, provavelmente os tufos estão ligados à comunicação do animal: erguer ou abaixar as “orelhas” pode demonstrar o humor ou estado emocional do indivíduo para pares da mesma espécie. Esse comportamento também é observado em corujas.

Caçador no ar: o “terror” dos insetos

O noitibó-orelhudo vive predominante em ambientes florestais, como florestas primárias (aquelas poucas ou nada afetadas por intervenções humanas) e secundárias (que se regeneraram após perturbações humanas) e áreas próximas a rios. Porém, quando encontram fonte de alimentação, eles podem habitar locais abertos perto de casas.

Imagem colorida mostra ave noitibó-orelhudo (Lyncornis macrotis) - Metrópoles
Boca do noitibó-orelhudo é maior do que parece

Caçadora noturna, a ave é insetívora e sai à procura de alimentos durante a noite. A procura é bastante facilitada por suas adaptações particulares: os olhos grandes ajudam a enxergar melhor no escuro e a boca extremamente grande – mesmo não parecendo quando está fechada – facilita a captura de insetos ainda no ar.

“O noitibó-orelhudo é uma das maiores espécies de noitibós do mundo. É um animal insetívoro que se alimenta principalmente de mariposas, besouros e cupins. A espécie captura suas presas durante o voo”, aponta o professor de ciências biológicas Raphael Igor Dias, do Centro Universitário de Brasília (Ceub).

Ave que não faz ninho

Ao contrário de boa parte das aves, o noitibó-orelhudo não constrói ninhos e põe seu único ovo diretamente no chão, em locais de vegetação mais cheia, como arbustos ou bambuzais. “A época de reprodução varia conforme a região, já que a espécie tem uma distribuição muito ampla e abrange diferentes climas e ambientes”, diz Vogeley.

Mesmo colocando apenas um ovo por vez e ainda por cima no chão, a espécie não corre risco de extinção, tendo a situação classificada como “menos preocupante” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na tradução em inglês). No futuro, o desmatamento pode ameaçar a sobrevivência dos noitibós-orelhudos, mas não existem evidências de declínio populacional atualmente.

“O único ponto de atenção é que ela ganhou certa notoriedade nas redes sociais recentemente, sobretudo pela semelhança com o dragão do desenho. Em algumas situações, o interesse público por espécies carismáticas incentiva a procura por animais como pets — algo que já ocorre com papagaios e periquitos sul-americanos”, alerta o ornitólogo.

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