Arqueólogos encontram esqueletos de 1.800 anos ligados a ritual

Achado de 1.800 anos na via Ostiense, em Roma, sugere rituais com pregos para afastar espíritos e proteger vivos e mortos

atualizado

metropoles.com

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Reprodução / Superintendência Especial de Roma
Foto colorida de esqueleto humano com um prego posicionado no tórax - Metrópoles.
1 de 1 Foto colorida de esqueleto humano com um prego posicionado no tórax - Metrópoles. - Foto: Reprodução / Superintendência Especial de Roma

Escavações arqueológicas realizadas em Roma revelaram um achado incomum que está chamando a atenção da comunidade científica: três esqueletos foram encontrados com pregos posicionados na região do tórax.

A descoberta, feita na chamada Necrópole Ostiense, levanta a hipótese de que práticas funerárias antigas poderiam incluir rituais para afastar espíritos ou impedir que os mortos retornassem.

O achado ocorreu durante obras para a construção de um alojamento estudantil na via Ostiense, na região de San Paolo Fuori le Mura, sob supervisão do Ministério da Cultura da Itália.

As informações fazem parte de uma nota oficial publicada em 4 de março de 2026 e divulgada pelo órgão italiano, que descreve a descoberta de uma vasta área funerária com estruturas bem preservadas, incluindo túmulos decorados e sepultamentos mais simples.

Descoberta em uma necrópole complexa

Segundo a Superintendência Especial de Roma, a área escavada revelou um conjunto organizado de edificações funerárias da época imperial. O núcleo principal é composto por cinco edifícios com planta quadrangular e cobertura em abóbada, além de outras estruturas menores, sugerindo a existência de um complexo articulado em torno de um pátio interno.

Segundo os pesquisadores, esses espaços eram destinados ao armazenamento de urnas funerárias e apresentam elementos decorativos elaborados, como pinturas, estuques e figuras simbólicas da cultura romana.

Entre os achados, três esqueletos chamaram atenção por apresentarem pregos de ferro posicionados na região do peito. A disposição dos objetos não parece acidental, o que levou os pesquisadores a considerar um possível significado simbólico ou ritualístico.

Em entrevista ao site Live Science, a arqueóloga Diletta Menghinello, envolvida na escavação, afirmou que “a presença dos pregos pode estar relacionada a práticas destinadas a proteger tanto os vivos quanto os mortos”, disse.

A hipótese é de que esses elementos funcionassem como uma forma de impedir que os mortos “retornassem” ou que espíritos malignos interferissem no mundo dos vivos.

Esse tipo de prática já foi observado em outros contextos arqueológicos e costuma estar associado a crenças populares e rituais apotropaicos — ou seja, voltados para afastar o mal.

Contexto arqueológico

O conjunto de descobertas é considerado de grande relevância por especialistas, pois pode oferecer novas informações sobre práticas funerárias, organização social e crenças da Roma antiga.

Com a continuidade das escavações, os pesquisadores esperam encontrar mais artefatos, inscrições e elementos que ajudem a esclarecer o significado dos pregos e o contexto dos enterramentos.

Embora a hipótese ritual seja considerada plausível, os especialistas reforçam que ainda não é possível afirmar com certeza o significado dos pregos encontrados nos esqueletos. A interpretação depende da análise de mais evidências arqueológicas e comparações com outros achados semelhantes.

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