Corpos torturados achados em túmulo viking mostram violência da época
Túmulo viking foi localizado em área de conflito. Corpos achados no local tinham sinais de tortura
atualizado
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Durante escavação realizada na Inglaterra, pesquisadores encontraram um túmulo da era viking repleto de restos humanos, alguns deles com cabeças desmembradas dos corpo. Para os arqueólogos, o achado remonta os sinais de violência e tortura do século 9, quando havia uma disputa entre os saxões (povos germânicos) e os vikings (povos nórdicos).
No túmulo, foram encontrados restos mortais de 10 indivíduos, de acordo com o número de crânios. Alguns estavam inteiros, e outros, desmembrados. Também havia uma pilha de pernas e quatro esqueletos completos, com sinais de que estavam amarrados no momento da morte.
O curioso é que a descoberta ocorreu em uma escavação de treinamento, feita por professores e estudantes do curso de arqueologia da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. A divulgação dos achados foi feita em 4 de fevereiro.
“Antes de descobrirmos os primeiros vestígios, nossa melhor descoberta foi uma tampa de Smarties (um tipo de chocolate) da década de 1960. Nunca tinha me deparado com restos humanos em uma escavação, e fiquei impressionada com a sensação de proximidade e, ao mesmo tempo, de distância que essas pessoas transmitiam”, afirma Olivia Courtney, estudante da Universidade de Cambridge, em comunicado.
O local escolhido para a investigação foi uma vala próxima ao campus da universidade inglesa descoberta no ano passado. Segundo os especialistas, ela estava presente em uma área onde era uma zona de fronteira – e conflitos – entre o reino saxão da Mércia e o reino da Ânglia Oriental, terreno conquistado pelos vikings.
A localização e os tipos de ossos encontrados indicam as cenas de barbárie que ocorreram no poço funerário à época.
Detalhes dos restos mortais no túmulo viking
Investigações posteriores revelaram que os corpos pertenciam a homens jovens, enterrados sem qualquer tipo de ritual funerário. Marcas de traumas e cortes apontam violência extrema antes do fim da vida deles.
O fato dos corpos terem sido descartados na vala desmembrados também sugere a falta de piedade dos autores pelas vítimas.
“É possível que algumas das partes dos corpos desarticulados tenham sido exibidas anteriormente como troféus e, em seguida, foram recolhidas e enterradas com os indivíduos executados ou assassinados de alguma outra forma”, aponta o líder da escavação, Oscar Aldred, da Unidade Arqueológica de Cambridge (CAU).
Entre os ossos, também foi encontrado um associado a um jovem com cerca de 1,95 m. O fato impressionou os cientistas, visto que a média de altura dos homens à época era de aproximadamente 1,68 m.

Além disso, o crânio dele apresenta um orifício oval, sugerindo que ele passou por uma trepanação, procedimento cirúrgico antigo que consistia em fazer um buraco craniano com a pessoa ainda viva. Ele ainda é feito nos dias atuais, especialmente para aliviar a pressão intracraniana, drenar hematomas ou chegar ao cérebro.
Após o achado, os arqueólogos pretendem realizar mais desdobramentos no futuro, visando analisar mais detalhes dos ossos por meio de DNA antigo e estudos isotópicos.
