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Por que animais asiáticos e africanos da mesma espécie são diferentes?

Leões, elefantes e rinocerontes mostram como conexões históricas e adaptações locais moldaram diferenças entre animais semelhantes

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Ilustração em preto e branco mostra diferença entre a cabeça de elefantes africanos e indianos - Metrópoles
1 de 1 Ilustração em preto e branco mostra diferença entre a cabeça de elefantes africanos e indianos - Metrópoles - Foto: Getty Images

Enquanto o rinoceronte asiático tem o corpo dividido por uma couraça segmentada e um único chifre, o africano possui a pele mais uniforme e dois chifres. Elefantes de orelhas largas vagam pela savana africana, enquanto parentes menores, de orelhas curtas, habitam florestas na Ásia. Já os leões dominam pradarias ao sul do Saara, em contraste com versões menores, de jubas discretas, que vivem em reservas na Índia.

Diversas espécies de grandes mamíferos habitam tanto o continente africano quanto o asiático. Embora compartilhem diversas características, elas também possuem uma longa lista de sutis diferenças que foram cultivadas ao longo de milênios de distanciamento entre seus ancestrais comuns.

A semelhança entre mamíferos de continentes diferentes intriga pesquisadores há séculos. Animais aparentados exibem traços semelhantes, mas também adaptações próprias aos climas diferentes dos dois continentes. As diferenças não surgiram por acaso: refletem tanto a história evolutiva quanto a pressão de ambientes distintos. Mas o que explica essas relações e afastamentos entre as espécies?

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Fêmea de rinoceronte-branco (Ceratotherium simum), com chifre longo, e seu filhote no Parque Nacional do Lago Nakuru, Quênia
Elefante africano macho (Loxodonta africana) na Reserva Nacional de Samburu, Quênia
Elefante asiático  fêmea (Elephas maximus) no Parque Nacional Banerghatta, Bangalore, Índia.
Leão macho africana (Panthera leo) em pé na grama alta, no Quênia
Leão asiático (Panthera leo leo) visto em Java
Rinoceronte asiático, também chamado de indiano (Rhinoceros unicornis)
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Rinoceronte asiático, também chamado de indiano (Rhinoceros unicornis)

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Fêmea de rinoceronte-branco (Ceratotherium simum), com chifre longo, e seu filhote no Parque Nacional do Lago Nakuru, Quênia
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Fêmea de rinoceronte-branco (Ceratotherium simum), com chifre longo, e seu filhote no Parque Nacional do Lago Nakuru, Quênia

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Elefante africano macho (Loxodonta africana) na Reserva Nacional de Samburu, Quênia
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Elefante africano macho (Loxodonta africana) na Reserva Nacional de Samburu, Quênia

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Elefante asiático  fêmea (Elephas maximus) no Parque Nacional Banerghatta, Bangalore, Índia.
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Elefante asiático fêmea (Elephas maximus) no Parque Nacional Banerghatta, Bangalore, Índia.

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Leão macho africana (Panthera leo) em pé na grama alta, no Quênia
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Leão macho africana (Panthera leo) em pé na grama alta, no Quênia

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Leão asiático (Panthera leo leo) visto em Java
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Leão asiático (Panthera leo leo) visto em Java

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Conexões e ancestralidade

África e Ásia mantiveram contato por milhões de anos e até hoje possuem fronteiras terrestres. Segundo o professor de ecologia José Alexandre Diniz Filho, da Universidade Federal de Goiás (UFG) e membro da Academia Brasileira de Ciência, essa proximidade geográfica reduziu as diferenças entre as faunas em comparação a continentes apartados, como o americano. Animais migravam de uma região para outra quando o clima favorecia, criando linhagens relacionadas, mas que se diferenciavam ao longo do tempo.

“De uma maneira geral, essa semelhança é por ancestralidade comum. É um efeito biogeográfico de linhagens ocupando continentes que estavam mais próximos ou tem ambientes semelhantes”, explica Diniz.

O leão é um exemplo claro. Houve tempos em que o felino ocupava desde a África até o sul da Ásia. Hoje, só restam populações estáveis na savana, no centro da África, e um pequeno grupo na Índia. Os animais foram se tornando cada vez mais diferentes do ponto de vista genético conforme sua ocupação territorial se alongava.

“Tivemos até leões na América, por um tempo, a Pantera Atrox que foi extinta há cerca de 20 mil anos”, completa o professor da UFG.

Já os elefantes seguem um caminho diferente. Africanos e asiáticos pertencem a linhagens distintas dentro dos proboscídeos. Ambos compartilham ancestralidade, mas divergiram cedo.

Mesmo entre os elefantes africanos, estudos recentes provaram que os animais não são uma espécie única ao comparar os que vivem em florestas e savanas. “Eles são distintos entre si como os elefantes asiáticos e os mamutes. A ruptura entre os elefantes africanos das savanas e das florestas é quase tão antiga como a ruptura entre os humanos e os chimpanzés”, explica o biólogo Michi Hofreiter, um dos autores do estudo comparativo de DNA que sacramentou a diferença entre as espécies.

África vs. Ásia

O resultado está visível em tamanho, formato da cabeça e presença de presas, muito mais comuns nos machos asiáticos. As características físicas revelam essas adaptações. Elefantes africanos desenvolveram orelhas grandes, que ajudam na regulação térmica em áreas abertas. Asiáticos têm orelhas menores e pele mais lisa, adequadas às florestas úmidas em que vivem.

Nos leões, as diferenças aparecem na juba e no porte. Machos africanos exibem jubas densas e extensas, úteis para proteção em disputas. Asiáticos têm jubas curtas e esparsas, com pelos mais escuros, ajustados ao clima da floresta de Gir, na Índia, onde vivem isolados.

Entre rinocerontes, tigres e macacos também há contrastes. Os tigres africanos foram extintos, enquanto os tigres asiáticos, especialmente o siberiano, são considerados os maiores felinos do mundo. Já primatas africanos, como babuínos, possuem tamanhos de porte médio a grande, em geral, enquanto asiáticos costumam ser menores.

Riscos atuais

As diferenças evolutivas refletem história e ambiente e também as adaptações dos animais para sobreviver, mas as ameaças modernas são globais. “O problema tanto para espécies asiáticas como africanas é o mesmo. O problema somos nós”, alerta Diniz Filho. Para ele, perda de habitat, fragmentação e mudanças climáticas colocam em risco a sobrevivência dessas espécies.

A fragmentação isola populações, limita deslocamentos e reduz flexibilidade para enfrentar mudanças ambientais. Quando áreas naturais viram cidades ou lavouras, espécies ficam presas em fragmentos incapazes de sustentar populações viáveis.

Espécies invasoras, levadas por humanos, agravam o cenário. Cães, gatos e porcos introduzidos em novos ambientes competem com animais nativos. O impacto acelera extinções e reforça a urgência de estratégias de conservação em escala global.

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