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Ciência

“Ameba de fogo”: cientistas descobrem espécie que sobrevive a 64 °C

De acordo com um novo estudo, a ameba resistiu a um patamar de temperatura recorde para a sobrevivência de formas de vida complexas na Terra

23/09/2026 13:10, atualizado 23/09/2026 13:12
Beryl Rappaport/Nasa
Imagem em preto e branco de ameba de fogo - Metrópoles

Ao coletar amostras de um lago nos Estados Unidos, cientistas apoiados pela Nasa encontraram uma nova espécie de ameba capaz de se desenvolver em temperaturas de até 63 ºC, um patamar considerado recorde para a sobrevivência de formas de vida complexas na Terra. O recorde anterior para a replicação de células complexas em altas temperaturas era de pouco mais de 60 ºC.

Batizado de Incendiamoeba cascadensis (ou ameba-de-fogo das Cascatas), o ser eucarioto foi encontrado em uma pesquisa realizada no Parque Nacional Vulcânico Lassen, na Califórnia. Os resultados da descoberta foram publicados na revista Cell nessa terça-feira (22/9).

Além de estabelecer o recorde, a ameba-de-fogo sobreviveu a breves períodos em temperaturas de até 70 ºC.

“Fiquei muito surpresa. Tivemos que voltar e verificar se nossas incubadoras estavam calibradas corretamente. Foi realmente incrível”, afirma a primeira autora do estudo, Beryl Rappaport, em entrevista ao portal Live Science.

Coleta confirmou capacidade da ameba prevista em estudos anteriores

Estudos anteriores já haviam encontrado indícios de que as amebas conseguiam se desenvolver em fontes geotérmicas quentes, porém ainda não havia uma prova contundente em laboratório. Para isso, os pesquisadores foram até o Parque Nacional Vulcânico Lassen a fim de coletar amostras e estudá-las mais profundamente.

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Entre as várias amostras coletadas, a ameba-de-fogo se destacou. Além de identificarem a nova espécie, os cientistas descobriram suas particularidades. Segundo eles, o organismo prospera em temperaturas entre 55 ºC e 57 ºC e para de crescer abaixo de 42 ºC, mostrando a preferência da espécie por altas temperaturas para se desenvolver.

Durante os testes, descobriu-se que a ameba-de-fogo se dividia e replicava em temperaturas de até 63 ºC. A 70 ºC, ela entrava em estado dormente e se recuperava após permanecer por até cinco minutos nesse patamar de aquecimento. A 80 ºC, o organismo não resistia.

Para os pesquisadores, essa capacidade provavelmente provém da adaptação genética ao estresse térmico presente em seres eucariotos

O próximo passo dos autores é encontrar e investigar parentes próximos da nova espécie, com o objetivo de compreender melhor como ela evoluiu até tolerar esse nível de calor.