Projeto de monitoramento em Brumadinho acha 7 novas espécies na região
Programa monitoramento ambiental em Brumadinho tem o objetivo de orientar medidas de conservação que ajudem a restaurar a região
atualizado
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Pesquisadores encontraram sete novas espécies de pequenos mamíferos não voadores nunca identificadas em Brumadinho e na bacia do rio Paraopeba, em Minas Gerais. A ação faz parte do programa de monitoramento da biodiversidade aquática e terrestre, uma parceria entre a Vale e quatro universidades mineiras.
Em 2019, o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão na região causou a morte de 272 pessoas e espalhou resíduos de minério pela bacia do rio Paraopeba. O objetivo da iniciativa é orientar medidas de conservação que ajudem o restauramento florestal e da biodiversidade aquática e terrestre.
Inicialmente, 15 espécies de pequenos roedores eram conhecidas na região de Brumadinho. Após quatro anos de monitoramento, foi confirmada a presença delas por lá e ainda foram identificadas sete novas nunca vistas no local, incluindo quatro marsupiais e três roedores, sendo duas espécimes de rato-do-mato. Entre os bichos inéditos, estão:
- Cuíca-lanosa (Caluromys philander);
- Cuíca-graciosa (Gracilinanus agilis);
- Cuíca-de-rabo-curto (Monodelphis kunsi);
- Cuíca-quatro-olhos (Philander quica);
- Rato-do-mato (Calomys tener);
- Rato-do-mato (Bibimys labiosus);
- Cerradomys scotti.
Veja a foto de alguns exemplares:
A presença dos pequenos mamíferos não voadores é essencial para garantir a recuperação do ambiente, visto que roedores e marsupiais ajudam na dispersão de sementes.
De acordo com a bióloga e especialista em biodiversidade da Vale Cristiane Cäsar, a descoberta ajudará no embasamento de novas estratégias para favorecer a recuperação ambiental e a reconexão dos ecossistemas de Brumadinho.
“A ampliação do conhecimento científico por si só já é um grande resultado. Mas, além disso, a presença dessas e outras espécies indicam que a fauna silvestre se mantém no entorno e irá naturalmente recolonizar as áreas em processo de recuperação”, analisa a especialista.
Após o achado, os pesquisadores continuarão monitorando a região em busca de novas espécies bioindicadoras para revelar como está a saúde e a recuperação do ambiente. “A análise da ocorrência e abundância dos animais permitirá acompanhar, de forma detalhada, a recolonização das áreas, ajustando as estratégias de recuperação conforme necessário”, finaliza o especialista em ecologia e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Adriano Paglia.








