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Ciência

2,8 mil anos: tumba na Sibéria traz evidência mais antiga de uso de maconha

Análises no túmulo demonstraram a presença de canabinol, composto derivado do THC, o principal componente psicoativo da cannabis

06/11/2026 11:56, atualizado 06/11/2026 11:57
Divulgação/Caspari et al
Imagem colorida do achado-Metrópoles

A análise de um túmulo na Sibéria revelou que a cannabis era usada há pelo menos 2,8 mil anos. A evidência encontrada na República de Tuva, uma divisão federal russa, é a mais antiga já documentada da utilização da maconha. A descoberta liderada pela Universidade de Berna, na Suíça, teve os resultados publicados na revista Science nessa quinta-feira (5/11).

A investigação ocorreu em uma tumba sacrificial que pertenceu a membros do alto escalão da época. Foram recuperadas cerca de mil sementes de cannabis no local. A datação por radiocarbono feita em seis delas revelou que elas foram colocadas na sepultura no início do século 8 a.C..

No estudo, também foram analisados cabelos humanos preservados nas câmaras funerárias. Os resultados apontaram que havia sinais compatíveis com o canabinol (CBN), uma substância química produzida pela oxidação do tetraidrocanabinol (THC), principal composto psicoativo da cannabis.

De acordo com os autores, isso indica que houve o uso de cannabis. Por outro lado, não foi possível determinar a quantidade consumida e qual método os indivíduos utilizaram para consumir a substância psicoativa – se por inalação ou ingestão.

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Caspari et al.Imagem colorida de amostras de cabelo - Metrópoles
Imagem mostra as amostras de cabelo analisadas

“Este estudo é particularmente esclarecedor porque combina a análise de restos de plantas com vestígios moleculares no corpo humano. Os vestígios moleculares no cabelo e nas sementes de cannabis provêm da mesma sepultura e sugerem que a cannabis era usada pelas suas propriedades psicoativas”, afirma o autor principal do estudo, Gino Caspari, em comunicado.

Como próximo passo da pesquisa, os cientistas pretendem sequenciar o DNA das amostras de plantas para saber se elas foram especificamente escolhidas ou cultivadas para ter mais ou menos níveis de compostos ativos. “Isso nos ajudará a aprender mais sobre a história da domesticação e disseminação dessa cultura em breve”, diz Caspari.