De olho nas eleições, Delcídio Amaral assume presidência do PTB em MS

Ex-senador pelo PT e delator na Lava Jato, Delcídio envolveu diretamente o ex-presidente Lula nas investigações

Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 03/09/2019 14:44

Ex-senador e delator na Operação Lava Jato, Delcídio Amaral retomou a carreira política. De olho nas eleições do próximo ano, ele já prepara as “chuteiras” para voltar ao jogo político-eleitoral. Só que em nova legenda. Após quase ser expulso do PT e ter uma breve passagem pelo PTC, Delcídio agora vai filiar-se ao PTB. Mas não para por aí, assumirá, no próximo dia 21, a presidência estadual da sigla.

“Cheguei à conclusão de que seria um bom nome para presidir o partido. Conciliar o mandato [de deputado estadual] com a presidência [da legenda] acaba bagunçando”, explicou o deputado estadual Neno Razuk, atual presidente do PTB em Mato Grosso do Sul.

No horizonte, há a possibilidade de Delcídio sair candidato à prefeitura de Campo Grande em 2020. “No estado, o nome [de Delcídio] é muito forte e ele pode pleitear o cargo que quiser em qualquer município”, prosseguiu Razuk.

A cerimônia, segundo o atual presidente estadual da sigla, será na Câmara Municipal da capital do estado, Campo Grande. Delcídio e o presidente nacional da legenda, Roberto Jefferson, são esperados para o evento. Em comum, ambos implicaram o lulopetismo em denúncias de corrupção.

Em 2005, Roberto Jefferson foi a público denunciar o esquema de compra de apoio político pela primeira gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. O escândalo ficou conhecido como “mensalão”. Delcídio, por outro lado, fez delação premiada na qual envolveu igualmente o ex-presidente. Sem provas, o caso foi arquivado.

Prisão
Em dezembro de 2015, Delcídio tornou-se o primeiro senador desde a redemocratização, em 1985, preso no exercício de seu mandato. Na época, o então relator da Lava Jato, ministro Teori Zavascki, afirmou que o senador pelo PT ofereceu mesada de R$ 50 mil para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró não fechasse acordo de delação premiada. A triangulação envolveria o banqueiro André Esteves, do banco BTG.

Na sequência, após breve prisão, o senador decidiu fazer delação premiada, na qual envolveu grandes nomes da política na época, como o da ex-presidente Dilma Rousseff, do então senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-presidente Lula.

Segundo Delcídio, Aécio teria recebido propina no esquema de corrupção em Furnas. O ex-senador afirmou ainda que o esquema em Furnas atendia também a interesses do PP, por meio do deputado José Janene, e do PT, a partir de 2002.

Nada disso ficou comprovado. A Polícia Federal pediu arquivamento do caso e o ministro Gilmar Mendes mandou finalizar o procedimento.

“A decisão do STF confirmou a conclusão que já havia sido alcançada pela Polícia Federal há mais de 10 meses, no sentido de que, passados mais de 2 anos de investigação e realização de inúmeras diligências, nenhuma ilegalidade envolvendo o senador Aécio Neves foi encontrada”, afirmou Gilmar à época.

Em setembro do ano passado, o ministro Edson Fachin arquivou outra investigação feita com base na delação.

Segundo Delcídio, a ex-presidente Dilma Rousseff havia nomeado os ministros Marcelo Navarro e Francisco Falcão para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) a fim de obstruir a Operação Lava Jato.

Fachin atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que não encontrou provas do que Delcídio havia dito sobre os ministros.

Na delação, o ex-senador disse que o esquema para a compra do silêncio de Nestor Cerveró havia sido acertado com o ex-presidente Lula na sede do seu instituto, em São Paulo.

“Ocorre que Delcídio, malgrado a lógica em sua narrativa, e anexando documentação, quer comprovar os encontros, mas não realizou qualquer gravação que acene pela veracidade de suas alegações. Seus encontros com Maurício Bumlai, André Esteves e o ex-presidente Lula não foram captados por qualquer aparelho”, pontuou o juiz, que, em seguida, arquivou o caso.

Últimas notícias