Romero Britto revela por que escondeu câncer de próstata por seis anos
Artista plástico fala pela 1ª vez em biografia que foi diagnosticado com câncer e revela que decidiu tratar a doença "como se não existisse"

Romero Britto decidiu guardar a sua autobiografia, A Arte da Felicidade, um relato inédito que escondeu da imprensa e dos fãs ao longo dos últimos seis anos. O artista plástico, conhecido mundialmente por suas cores vibrantes e formas geométricas, foi diagnosticado com câncer de próstata em 2020, no auge da pandemia de Covid-19.
O diagnóstico veio após o check-up que realiza ano após ano. Após um resultado fora do comum, observado pelo médico Lucas Vidal, companheiro de todas as horas do artista, Romero decidiu repetir os exames por três vezes até enfim se submeter a uma biópsia, que confirmou o tumor.
“Ainda me lembro da voz embargada do médico: ‘Romero, você tem câncer’. ‘Oh, my God!’, foi tudo o que consegui dizer”, escreve Romero Britto em A Arte da Felicidade, já disponível em livrarias e plataformas virtuais.
Romero Britto decidiu tratar câncer em silêncio
Diante do diagnóstico, Romero Britto conta que escolheu se afastar ao máximo do desespero e preferiu priorizar “a positividade e o propósito”. Ele seguiu todo o tratamento sem fazer comunicados a amigos, à imprensa ou aos fãs. O pintor decidiu que não deixaria que a doença lhe roubasse a rotina, a esperança de viver e, principalmente, a dedicação à arte, grande companheira ao longo do processo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Decidi, então, não travar uma luta contra o câncer, e sim viver como se ele não existisse. Não me entenda mal, eu não ignorei o problema. Segui o tratamento, cumpri cada orientação médica, mas procurei manter a serenidade. Afinal, o destino estava nas mãos de Deus”, conta.

Depois de cerca de um ano de tratamento, Romero Britto realizou uma cirurgia para a retirada da próstata, que foi um sucesso. A doença está em remissão há dois anos e o artista se diz “mais saudável do que nunca” após a experiência.
“Acredito que a arte, a positividade e o otimismo me ajudaram a atravessar esse período. A ciência confirma que os pensamentos positivos, a criação, a gratidão e a beleza têm poder curativo. Cercar-se de pessoas boas… sorrir… fazer o bem… apreciar o belo… tudo isso, somado ao tratamento, foi o que me sustentou. E foi assim, cercado por tintas, pincéis e telas, que venci esse que foi um dos grandes desafios da minha vida”, reflete.
A Arte da Felicidade, a autobiografia de Romero Britto
Romero Britto resgata a história de 64 anos na autobiografia A Arte da Felicidade, em que conta com franqueza sobre como uma criança humilde, filho de pescadores do Recife (PE), se tornou um dos artistas contemporâneos brasileiros de maior destaque no país e no exterior.
Ao longo dos anos, as obras de Romero foram exibidas em galerias e museus de mais de 120 países, incluindo o Louvre, em Paris; o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro (RJ); o Museu Soumaya, no México; além da maior instalação artística do Hyde Park, em Londres.

O livro de memórias, porém, não se limita a contar a história do estudante de direito que abandonou a faculdade e se mudou para Miami, nos Estados Unidos, para abrir o próprio ateliê, na sala do apartamento onde morava. Através da escrita, o artista plástico celebra as conquistas e o reconhecimento nacional e internacional, faz desabafos sobre as críticas e ataques que sofreu ao longo dos anos e, acima de tudo, destaca o papel da arte ao longo de toda a vida.
“A arte tem uma força cosmológica: ela é capaz de mudar os rumos do mundo. E, quando usada com intenção, pode curar, inspirar, salvar e reconstruir vidas. Ela nos leva a olhar o outro e perceber que a beleza está não só nas cores que escolhemos, mas também nas mãos que estendemos”, escreve.



















