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Pacto da branquitude: termo viraliza após caso de Rodrigo Branco

Vídeo publicado por Rodrigo Branco, condenado por racismo contra Thelma Assis, rendeu críticas após ele receber apoio de famosos

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Reprodução/redes sociais.
Pacto da branquitude: termo viraliza após caso de Rodrigo Branco

Um vídeo publicado por Rodrigo Branco, em que ele pede perdão após ser condenado por uma fala racista cometido contra a ex-BBB Thelma Assis, gerou grande repercussão na web após celebridades demonstrarem apoio e saírem em defesa do empresário. A confusão fez viralizar na web o termo “pacto da branquitude“.

O termo foi desenvolvido pela pesquisadora Maria Aparecida Silva Bento, mais conhecida como Cida Bento. Ela é autora do livro O Pacto da Branquitude, em que denuncia e questiona a universalidade da branquitude e as consequências nocivas para qualquer alteração substantiva na hierarquia das relações sociais.

“Não se trata de uma conspiração ou de um acordo formal entre pessoas brancas. Trata-se de mecanismos de proteção, silêncio, reconhecimento e preservação de espaços de poder que acabam beneficiando determinados grupos. O conceito surge justamente da observação de que as desigualdades raciais persistem mesmo em instituições que afirmam defender igualdade e diversidade”, explica Rodrigo França, colunista do Metrópoles, escritor e diretor de cinema.
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Rodrigo Branco
Rodrigo Branco
Ludmilla e Rodrigo Branco
Rodrigo Branco, Bruna Marquezine e João Guilherme
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Rodrigo Branco e ludmilla
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Rodrigo Branco e Anitta
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Rodrigo Branco é amigo de famosas, como Dani Calabresa, e foi acusado de racismo
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Rodrigo Branco é amigo de famosas, como Dani Calabresa, e foi acusado de racismo

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Rodrigo Branco com Dani Calabresa e Blogueirinha
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Rodrigo Branco com Dani Calabresa e Blogueirinha

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França ainda aponta que, “quando um crime racial é tratado apenas como um deslize, um equívoco ou um momento infeliz, corre-se o risco de apagar a gravidade da violência praticada”. “Quando a preocupação maior passa a ser preservar quem praticou a violência e não enfrentar as estruturas que permitem a repetição, estamos diante de um comportamento que dialoga diretamente com o conceito de pacto da branquitude”, opina.

O escritor ainda lembra que o termo não foi criado para servir de “xingamento, um rótulo ou uma acusação automática contra qualquer pessoa branca”: “Mas quem possui acesso à informação, aos livros, aos artigos e às pesquisas tem também uma responsabilidade maior de compreender os conceitos antes de reproduzi-los”.

Apoio de famosos a Rodrigo Branco

No vídeo postado na segunda-feira (22/6), o empresário afirma que deseja que o episódio “sirva de exemplo na luta contra o racismo” e definiu as falas contra Thelma como “o maior erro da vida”. “Meu aprendizado nunca termina com uma sentença, com pagamento, não termina com vídeo de desculpas. É um exercício diário no dia a dia, não tem outra forma”, afirma.

Rodrigo ainda diz que um erro não define a trajetória dele, mas garante que recebeu apoio de amigos para reconhecer as falhas. “Eu não posso mudar o que aconteceu, mas posso escolher ser diferente. Posso continuar, posso escolher continuar aprendendo, posso continuar evoluindo. Por isso que eu quero que esse caso seja um exemplo”, finalizou.

No X, antigo Twitter, internautas fizeram uma “lista” desses famosos e condenaram o suporte ao empresário. Entre eles estão Xuxa Meneghel, Deborah Secco, Astrid Fontenelle — que decidiu apagar o comentário após uma conversa com o filho —, Gominho, Lívia Andrade e Adriane Galisteu.

“Ro, achei de muita coragem e valia o que você fez. Errei muito e estamos aqui para aprender e tentar errar menos. É que essa pauta dói muito e nós, brancos, NUNCA vamos entender essa dor. Espero de coração que você, eu e o planeta mude. Não dá mais para errar nesse assunto”, escreveu Xuxa.

Deborah Secco disse: “Pessoas não são descartáveis… A gente erra, aprende, se responsabiliza pelos nossos erros e faz diferente. Te amo e amo acompanhar sua evolução”.

Relembre o caso

No processo movido contra Rodrigo Branco, Thelma Assis alegou que, em 30 de março de 2020, o empresário participou de uma live e proferiu comentários de cunho racista ao analisar a participação dela no BBB 20. No vídeo em questão, ele afirmou que a torcida da médica só existia “porque ela é negra coitada”.

No último dia 15, a juíza Flávia Snaider Ribeiro, da 6ª Vara Cível de São Paulo, condenou o empresário a pagar uma indenização de R$ 40 mil por danos morais à Thelma. Cabe recurso da decisão. Rodrigo Branco mora nos Estados Unidos e foi citado por edital, mas não se pronunciou nos autos do processo.

“Verifica-se que o réu, na tentativa de diminuir os evidentes atributos pessoais da autora (…) buscou atrelar o seu favoritismo ou a sua torcida relevante ao fato de a demandante ser pessoa negra e que, assim, na concepção do réu, seria digna de ‘pena’ pela sociedade, revelando, de forma cristalina, comportamento discriminatório”, diz trecho da decisão.

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