Morre Marjane Satrapi, cineasta e autora de Persépolis
Satrapi ficou muito conhecida por Persépolis, autobiografia que mostrou a infância e a juventude no Irã após a Revolução Islâmica de 1979
atualizado
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A escritora, artista e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi morreu aos 56 anos. A notícia foi confirmada pela família da artista em comunicado e ocorre pouco mais de um ano após a morte do mardio dela, o produtor, ator e roteirista sueco Mattias Ripa, que morreu em abril de 2025.
Satrapi ficou conhecida internacionalmente por Persépolis, obra autobiográfica que retrata a infância e a juventude no Irã após a Revolução Islâmica de 1979. A história acompanha sua vida em Teerã sob as restrições impostas pelo regime e a mudança para a Europa, onde passou a viver no exílio.
A informação da morte de Marjane foi confirmada por pessoas próximas à autora à agência AFP nesta quinta-feira (4/6). “Marjane Satrapi morreu de tristeza pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida”, diz um trecho do comunicado.
Quem era Marjane Satrapi?
Nascida no Irã, a artista se mudou para a França em 1994 e obteve a nacionalidade francesa em 2006. Além do sucesso nos quadrinhos, também construiu carreira no cinema. Em 2007, dirigiu ao lado de Vincent Paronnaud a adaptação de Persépolis para as telas. O longa venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar.
Ao longo da vida, Satrapi se tornou uma das vozes mais críticas ao governo iraniano. Ela também participou de manifestações em defesa dos direitos das mulheres após a morte de Mahsa Amini, em 2022. Durante protestos realizados em Paris, a cineasta defendeu mudanças no país e afirmou que era importante manter a esperança por transformações.
Nos últimos anos, expandiu sua atuação para além de histórias ligadas ao Irã. Entre os trabalhos mais recentes está Radioactive (2019), cinebiografia de Marie Curie estrelada por Rosamund Pike.
Após a morte de Mattias Ripa, Satrapi criou a Fundação Mattias e Marjane Ripa-Satrapi Cinema, voltada ao apoio de estudantes estrangeiros interessados em estudar cinema em Paris. Nas redes sociais, as publicações da artista passaram a ser dedicadas quase exclusivamente à memória do marido.