Juliano Cazarré cita fake news em entrevista e é confrontado. Assista
Juliano Cazarré causou polêmica nas redes sociais após discutir com especialistas durante um debate sobre feminicídio e outros temas
atualizado
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Juliano Cazarré causou polêmica nas redes sociais após discutir temas como violência contra a mulher, masculinidade tóxica e o curso voltado ao público masculino criado por ele, chamado O Farol e a Forja. Durante o debate, o ator citou dados sem apresentar fontes e usou informações distorcidas para sugerir que mulheres matam mais homens do que o contrário.
O programa GloboNews Debate discutiu o papel do homem na sociedade e como isso afeta a vida da mulher. Estiveram presentes a psicanalista Vera Iaconelli, o ator Juliano Cazarré, que vende um curso de masculinidade para homens, e Ismael dos Anjos, coordenador do projeto O Silêncio… pic.twitter.com/V13m8GzRPG
— g1 (@g1) May 13, 2026
“Essa onda de violência no Brasil não é só contra a mulher. O Brasil é um país violento contra homens, contra negros, contra brancos, contra crianças, contra idosos. É um dos países que mais mata no mundo”, afirmou o ator durante o debate na GloboNews, acrescentando que o país “mata muito homem”.
Cazarré continuou: “Inclusive, mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres. Tem 2.500 assassinatos de homens cometidos por mulheres, no período em que nós tivemos 1.500 mulheres assassinadas por homens. Então existe também essa outra violência”.
A psicanalista Vera Iaconelli classificou os números apresentados pelo ator como “curiosos”, enquanto o consultor em equidade de gênero Ismael dos Anjos rebateu a comparação. “É importante distinguir que 1.500 são feminicídios. Feminicídio é um tipo de crime específico, que acontece quando uma mulher é morta por razões de gênero”, explicou.
Dados falsos
Apesar de não citar a origem das informações, Cazarré parece fazer referência a um vídeo viral que circulou nas redes sociais no ano passado. Na gravação, uma mulher afirma que, no Brasil, o número de homens assassinados por suas parceiras seria maior do que o de mulheres mortas por seus companheiros.
No vídeo, ela utiliza dados atribuídos ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A gravação menciona 46.328 mortes violentas intencionais no país, sendo 99,3% das vítimas homens. A partir disso, a mulher afirma que 6% desses casos teriam sido cometidos por parceiras das vítimas, chegando a uma estimativa de cerca de 2.760 homens mortos. Em seguida, ela compara o número aos 1.467 feminicídios registrados no mesmo período.
Na época, o Ipea afirmou que a interpretação era falsa e explicou que os dados misturavam diferentes tipos de crimes, incluindo violência urbana. O instituto destacou ainda que o percentual de 6% citado no vídeo vinha de uma análise preliminar de 2013 e englobava mortes de homens por homicídio, latrocínio e outros crimes violentos.
O mesmo levantamento aponta que 40% dos homicídios de mulheres foram cometidos por parceiros íntimos — dado omitido no vídeo viral.
Feminicídio no Brasil
Como comparação, o primeiro trimestre de 2026 registrou recorde de feminicídios no Brasil, com alta de 7,55% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o país contabilizou 399 vítimas entre janeiro e março.
O número representa o trimestre mais letal para mulheres nos últimos 11 anos, desde o início da série histórica do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), iniciada em 2015.
De 2015 a 2026, os registros saltaram de 125 para 399 casos no primeiro trimestre, um aumento de aproximadamente 219%. Segundo o Sinesp, foram 142 vítimas em janeiro, 123 em fevereiro e 134 em março.
Nos dois primeiros meses deste ano, o Brasil registrou 258 vítimas de feminicídio. Os dados do Sinesp indicam que, em média, cerca de quatro mulheres são assassinadas por questões de gênero por dia no país.
Em 2025, o Brasil registrou o maior número de feminicídios da série histórica: ao menos 1.470 mulheres foram assassinadas em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados por misoginia. O total superou os 1.464 casos registrados em 2024, uma alta de 0,41%.










