Edgar Morin era fascinado pelo Brasil e já fez várias visitas ao país
Filósofo francês Edgar Morin era conceituado e reverenciado por acadêmicos e estudiosos brasileiros. Ele morreu aos 104 anos nesta sexta
atualizado
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Ao longo dos mais de 70 anos voltados à filosofia e ao estudo das ciências humanas, o filósofo francês Edgar Morin fez várias visitas ao Brasil e afirmou que se sentia estimulado pelo país. O autor responsável pela Teoria do Pensamento Complexo morreu nesta sexta-feira (29/5), aos 104 anos.
O falecimento do intelectual foi confirmado pela Multiversidad Mundo Real Edgar Morin, instituição internacional dedicada à obra do pesquisador. “Com profundo respeito e gratidão, lamentamos o falecimento de Edgar Morin, pensador universal, mestre da complexidade e guia humanista de nossa comunidade acadêmica”, diz o comunicado.
Edgar Morin era estimulado pelo Brasil
Desde o século passado, a obra de Edgar Morin foi muito valorizada pelos pesquisadores brasileiros. E Edgar Morin retribuiu em vida esta admiração. Em entrevista à revista Fronteiras, em 2015, ele afirmou que era encantado pela diversidade cultural do país, que integrava tanto a cultura dos colonizadores europeus quanto a dos povos africanos.
“No Brasil, mesmo com toda essa extraordinária heterogeneidade, existe uma cultura comum que mantém a unidade. Ou seja, pra mim, o Brasil é um grande estimulante. Um estimulante intelectual, mas também humano, pois tem um calor humano, um sentimento de familiaridade, que também perdemos na França e encontramos, muito vivo, no Brasil”, afirmou.
Ao longo das últimas sete décadas, o pensador francês fez várias visitas ao Brasil, onde participou de debates, conheceu a cultura do país e recebeu ao menos cinco títulos de doutor honoris causa de instituições de ensino brasileiras.
A primeira visita foi em 1968, quando ele foi convidado para ministrar um curso na Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. À época, o autor, que participou dos movimentos revolucionários franceses durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), acompanhou de perto os movimentos estudantis e deu opiniões sobre a política brasileira à imprensa.
Anos mais tarde, em 2009, Edgar Morin fez uma das visitas mais emblemáticas ao país, quando conheceu a comunidade indígena Xerente, no Tocantins. O francês ficou impressionado com a recepção e com as tradições do povo originário.
“Esse é um momento muito importante para mim”, disse, em português, na ocasião. “Eu sou muito dedicado aos povos indígenas. Vocês devem preservar sua cultura, conservar a língua, os ritos, a dança e manter essa relação harmoniosa com a natureza. Os povos indígenas são o que há de mais sagrado para a humanidade”, completou.
Morre Edgar Morin aos 104 anos
Edgar Morin estava prestes a completar 105 anos de vida quando morreu nesta sexta-feira (29/5). O local e a causa da morte ainda não foram divulgados. Ele deixa duas filhas, fruto do casamento com Irène Chapellaubeau.
Nascido em Paris, em 1921, o pensador era filho de uma família judaica e integrou a Resistência Francesa contra a ocupação nazista durante a 2ª Guerra. Autor de mais de 30 livros, Morin se consolidou como uma das principais referências intelectuais dos séculos XX e XXI.
O pensador é reconhecido principalmente pela Teoria do Pensamento Complexo, abordagem que busca superar a fragmentação do conhecimento. Em vez de analisar os fenômenos em partes isoladas, Morin propunha uma compreensão do mundo através da religação dos saberes, reconhecendo que tudo está interligado e sujeito a incertezas.
Em parceria com a Unesco, o autor publicou em 1999 o livro Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, obra que discute os desafios da educação no novo milênio. No campo da comunicação, tornou-se referência com Cultura de Massa no Século XX: O Espírito do Tempo (1962), livro em que analisa a relação entre arte, mídia e consumo de massa.







