“Vou fazer um trabalho técnico”, afirma o relator da CPMI do INSS
Deputado Ricardo Ayres avalia que pressão sobre o tema diminuiu após início do ressarcimento de aposentados e pensionistas
atualizado
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O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), declarou nesta quarta-feira (20/8) que vai realizar um “trabalho técnico” à frente da Comissão.
A CPMI será instalada nesta quarta para apurar a farra do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), revelada pelo Metrópoles.
Além de Ayres como relator, escolhido pelo presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta (Republicanos-PB), a CPMI tem na presidência o senador Omar Aziz (PSD-AM).
“É um trabalho técnico que eu vou fazer, até porque, como o país está muito polarizado, a coisa só vai funcionar se a gente adotar um critério e uma independência de verdade”, afirmou Ayres, em entrevista exclusiva ao Metrópoles.
Segundo o relator, o esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos na folha de pagamento de aposentados e pensionistas já foi “minimamente resolvido” com o início do ressarcimento das vítimas pelo governo.
Com isso, Ayres avalia que a pressão na CPMI diminuiu. “Eu acho que vai estar com um clima mais ameno para a gente conseguir fazer um trabalho”, disse.
A Comissão Mista vai reunir 32 integrantes, entre deputados e senadores, tanto da base do governo quanto da oposição. Também contará com o mesmo número de suplentes.
Ayres afirmou, em entrevista ao Acorda Metrópoles, que os trabalhos seguirão “independente de partido político, independente de ideologia”.
O relator disse ainda que prevê chamar ministros dos dois últimos governos, como Carlos Lupi e Onyx Lorenzoni, chefe da pasta da Previdência no governo de Jair Bolsonaro (PL).
Farra do INSS
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023.
Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU).
Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23 de abril e que culminou na demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e na renúncia do ministro da Previdência à época, Carlos Lupi.










