Vorcaro citou carta da realeza de Abu Dhabi antes de liquidação do Master
Mensagens mostram Daniel Vorcaro afirmando ter apresentado documento a Moraes e que fecharia negócio com investidores árabes

Mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF) mostram que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter apresentado uma “carta da família real de Abu Dhabi” como parte das negociações para a venda da instituição.
Os diálogos ocorreram em novembro de 2025, dias antes da prisão do ex-banqueiro e da liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC).
Segundo os registros reunidos pela PF, Vorcaro dizia estar prestes a concluir a operação com investidores dos Emirados Árabes Unidos e demonstrava preocupação com o avanço de medidas que poderiam atingir o banco antes da conclusão do negócio.
Em uma das mensagens, o banqueiro afirmou que finalizaria a negociação entre terça e quarta e mencionou ter mostrado a Moraes uma carta que, segundo ele, representava a aprovação do negócio pela família real de Abu Dhabi.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAs conversas fazem parte de um relatório da Polícia Federal que teve o sigilo levantado nesta terça-feira (1º/9) por decisão do ministro André Mendonça, do STF. O documento reúne registros de comunicação atribuídos a Vorcaro e aponta contatos com Moraes desde pelo menos 2023.
Tentativa de concluir venda
As mensagens indicam que Vorcaro trabalhava para concluir a venda do Banco Master a um grupo formado por investidores estrangeiros. A negociação envolvia um consórcio liderado pela Fictor Holding e um fundo de investidores dos Emirados Árabes Unidos.
O banqueiro também teria buscado intermediários para aproximar potenciais compradores. Entre os nomes envolvidos nas tratativas aparece o ex-presidente Michel Temer, que participou de uma agenda em Abu Dhabi relacionada à apresentação do banco a investidores locais.
Ao mesmo tempo em que tentava finalizar a operação, Vorcaro demonstrava preocupação com o avanço das investigações e com uma possível intervenção no banco.
Em mensagens, ele questionou Moraes sobre quem estaria pressionando Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e perguntou se seria possível fazer alguma coisa para impedir ou adiar as medidas.
Prisão e liquidação do Banco Master
- Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, enquanto tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai.
- No mesmo dia, segundo os registros analisados pelos investigadores, ele ainda demonstrava expectativa de concluir a negociação com investidores estrangeiros.
- Pouco antes de ser preso, afirmou estar prestes a assinar o acordo. “Tô indo assinar com os investidores de fora e estou online”, escreveu.
- No dia seguinte, 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

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Ver todas“Vamos resolver tudo”
Na sequência, escreveu que estava prestes a solucionar a situação e argumentou que uma eventual intervenção naquele momento poderia comprometer o acordo que tentava fechar. “Vamos resolver tudo. Não podem estourar uma bomba atômica na hora da solução”, afirmou em uma das mensagens.
O banqueiro também teria pedido a Moraes que tentasse sensibilizar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para que a operação fosse adiada. A intenção, segundo as mensagens, era ganhar tempo para concluir a venda do Master e evitar a quebra da instituição.









