Voo que caiu no Rio custou R$ 2,5 mil às turistas colombianas
Colombianas faziam passeio de 20 minutos em helicóptero sem portas por pontos turísticos do Rio. Piloto também morreu no acidente

As três turistas colombianas que morreram na queda de um helicóptero neste sábado (8/8), no Rio de Janeiro, haviam pago R$ 2.550 por um voo panorâmico de cerca de 20 minutos. O passeio era realizado sem as portas da aeronave e previa a passagem por pontos turísticos da cidade, entre eles a Floresta da Tijuca, onde ocorreu o acidente.
Rocio Cubillos, Sofia Murillo e Wendy Manrique eram da mesma família. Elas estavam a bordo do helicóptero Robinson R44, de matrícula PP-MFS, pilotado por Alessandro Rocha. Os quatro ocupantes morreram.
A aeronave caiu em uma encosta próxima à Vista Chinesa, na zona sul da capital fluminense. O impacto provocou uma explosão e um incêndio na mata.
Cerca de 40 militares do Corpo de Bombeiros participaram da operação, que também mobilizou 11 viaturas e quatro unidades operacionais. A Polícia Civil e autoridades aeronáuticas investigam o acidente.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSegundo documentos obtidos pelo Metrópoles, o passeio foi contratado com a Voos Rio Panorâmico. O site da empresa apresenta oferta passeios para “sobrevoar as paisagens mais icônicas da Cidade Maravilhosa”.
“Veja o Rio de Janeiro como poucas pessoas já viram, com segurança, conforto e paisagens de tirar o fôlego. Imagine a emoção de voar de helicóptero no céu do Rio de Janeiro, sobrevoando cartões-postais mundialmente famosos”, diz.
Os pacotes anunciados podem chegar a uma hora de duração e custar mais de R$ 1,3 mil por passageiro. Entre as opções de passeio está a modalidade conhecida como “doors off”, voos panorâmicos que são realizados sem portas laterais da aeronave.

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Ver todasEmpresa recebeu autorização em outubro de 2025
A Voos Rio Panorâmico foi autorizada a operar esse tipo de passeio em outubro de 2025. Uma portaria publicada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no fim daquele mês reconheceu que a companhia havia cumprido os requisitos para explorar serviços aéreos. A autorização dependia da manutenção das condições técnicas e operacionais exigidas pela agência.
Antes da liberação, servidores da Anac avaliaram documentos, aeronaves, instalações, equipamentos, funcionários e procedimentos de segurança da empresa. A vistoria incluiu uma simulação completa de voo panorâmico, realizada em outro helicóptero, de matrícula PR-MPT.
No parecer final, os fiscais afirmaram que não encontraram irregularidades que impedissem a certificação. A equipe considerou que a empresa tinha estrutura e pessoal suficientes para executar o serviço e classificou o voo de demonstração como seguro e organizado.
Durante a análise do sistema de segurança operacional, porém, os servidores observaram que a identificação de perigos, a avaliação de riscos e a adoção de medidas preventivas nem sempre eram registradas formalmente, como previa o manual da companhia.
A empresa foi orientada a atualizar os documentos internos, registrar todos os riscos identificados e acompanhar indicadores de segurança. Apesar disso, o sistema foi considerado adequado para a atividade pretendida, e o processo recebeu parecer favorável.
Helicóptero estava regular
Documentos da Anac mostram que o PP-MFS estava regular e autorizado a ser utilizado pela Voos Rio Panorâmico.
Segundo informações da agência, a aeronave foi fabricada em 2001. Em julho de 2025, a Voos Rio Panorâmico informou à agência que havia comprado o helicóptero.
O PP-MFS também foi um dos três helicópteros apresentados pela empresa durante seu processo de certificação da empresa na Anac, em 2025.



