Vídeo: Crivella liga para empresário alvo de operação e delegado atende

Nessa quinta-feira, uma nova fase da Operação Hades foi realizada. Desta vez, a polícia esteve em endereços ligados ao prefeito do Rio

atualizado 11/09/2020 21:15

Imagens divulgadas nesta sexta-feira (11/9) mostram um delegado atendendo a uma suposta ligação do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, para o celular do empresário Rafael Alves durante a primeira fase da Operação Hades, no dia 10 de março. O vídeo e as informações foram obtidos pela Globo News. 

Nessa quinta-feira (10/9), uma nova fase da operação foi realizada. Desta vez, a polícia esteve em endereços ligados ao prefeito do Rio, inclusive sua casa, onde apreendeu o telefone celular de Crivella.

A ação tem como objetivo investigar um suposto QG da propina na Prefeitura do Rio. Outras 17 pessoas foram alvos da operação.

De acordo com  relatório da Polícia Civil, a ligação que é mostrada no vídeo foi atendida pelo delegado que, naquele momento, cumpria um mandado de busca e apreensão na casa de Rafael Alves.

É possível perceber, nas imagens, que o delegado cumprimenta o interlocutor dizendo “bom dia, prefeito” e diz que se trata de uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil.

A ligação é desligada em poucos segundos. Outra pessoa que está acompanhando a operação pergunta ao delegado se quem ligou se identificou.

Veja:

Quem é Rafael Aves

Embora não tivesse cargo na administração municipal, Rafael Alves foi citado em delações como o responsável por cobrar propina de empresários que queriam receber valores atrasados da Prefeitura. Ele também é irmão do ex-presidente da Riotur Marcelo Alves.

No dia retratado no vídeo, que mostra a busca na casa de Rafael Alves, o empresário estava dormindo na suíte principal, com a porta trancada. Depois de receber ordem para abrir a porta, ele hesitou alguns segundos, “tempo suficiente para ocultar algum objeto relevante”. Em seguida, permitiu a entrada dos policiais.

Depois de algum tempo,  a equipe encontrou um celular de Rafael Alves escondido debaixo de uma pilha de roupas.

Enquanto a diligência de busca ainda estava em andamento, às 7h32m, o celular começou a tocar nas mãos do próprio delegado. O aparelho estava em modo avião, que não permite receber ligações telefônicas, mas estava conectado à rede de wi-fi da casa, o que possibilita conexão à internet e a aplicativos de troca de mensagens e chamadas de voz.

O relatório afirma que na tela do celular apareceu a identificação da pessoa que estava ligando: “Prefeito Crivella Novo 2”.

“Alô, bom dia, Rafael”

Então, o delegado atendeu a chamada e identificou a voz do interlocutor como sendo do prefeito Marcelo Crivella, que disse: “Alô, bom dia, Rafael. Está tendo uma busca e apreensão na Riotur? Você está sabendo?”.

Ainda de acordo com o documento, depois de cerca de 30 segundos, ao perceber que não era Rafael Alves que havia atendido a ligação, o prefeito Marcelo Crivella desligou a chamada.

O delegado conclui o relatório dizendo que “a forma de tratamento, o horário da chamada e o assunto em questão demonstram claramente a relação de proximidade e confiança entre o prefeito Crivella e o investigado Rafael Alves”.

O que diz a prefeitura

Sobre essa ligação, o prefeito Marcelo Crivella disse, em nota, que considerou a operação injustificada, já que ele não é réu neste ou em qualquer outro processo – e que sequer existe denúncia formal contra ele.

O advogado João Francisco Neto, que defende Rafael Alves, disse que desde dezembro de 2019 o empresário “vem se colocando à disposição do Ministério Público, em sucessivas petições, para esclarecer os equívocos e fragilidades destas acusações lançadas por delator, que fala o que quer para salvar a própria pele. Pela segunda vez, buscas são realizadas sem que a oportunidade de se manifestar tenha disso observada, em franca violação ao direito de defesa”.

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