“Uso de remédio fora da bula existe”, diz Queiroga sobre Kit Covid

O ministro da Saúde afirmou que não vai "cercear a autonomia de nenhum médico"

atualizado 31/03/2021 14:54

Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, em entrevista coletivaIgo Estrela/Metrópoles

Em comentário sobre o chamado “tratamento precoce” contra a Covid-19, em que são utilizados medicamentos sem comprovação científica de eficácia contra a doença, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que não vai “cercear a autonomia de nenhum médico”.

A declaração foi dada durante audiência pública convocada pelas comissões de Seguridade Social e Família e de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (30/3). No evento, deputados pressionaram o chefe da Pasta e pediram um posicionamento sobre o chamado “kit Covid”.

O uso de medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina é fortemente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). No entanto, não há nenhuma evidência científica de que os fármacos são eficazes no combate ao vírus.

Queiroga, que evita se aprofundar no tema, afirmou que o uso de medicamentos fora das finalidades descritas em bula “é uma prática que existe na medicina” e que não é criticada quando se trata de outras doenças.

“Muito se fala desses medicamentos [do kit Covid-19], mas há outros medicamentos que são usados na pandemia sem sustentação de dados científicos sólidos de publicações internacionais e ninguém questiona”, disse.

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O ministro citou o uso de anticoagulantes e de um medicamento para o tratamento de infecções articulares como exemplos. “Não vejo ninguém criticar”, defendeu.

Segundo Queiroga, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, em parceria com sociedades científicas e com o professor Carlos Carvalho, da Universidade de São Paulo (USP), criará um material com todas as evidências científicas e o grau de eficácia dos fármacos utilizados no tratamento precoce.

“Estão elaborando um protocolo assistencial onde todos esses fármacos que estão questionados (como cloroquina, hidroxiclorocina, zinco, azitromicina, invermectina). Todas as evidencias que existem sobre esses produtos, com a qualidade da evidência e o grau de recomendação, serão postos de maneira clara”, garantiu.

O encontro na Câmara foi proposto pelos deputados Flávia Morais (PDT-GO), Adriana Ventura (Novo-SP), Vivi Reis (PSol-PA), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Bira do Pindaré (PSB-MA).

“Sou um médico”

Antes de falar sobre a criação do protocolo, Queiroga disse que não iria comentar questões políticas. “Eu sou um médico, estou aqui para salvar vidas. Nossa função aqui, quero assegurar para os senhores deputados, é fazer política de saúde”, afirmou.

“Minha função não é fazer politica na saúde, é fazer política de saúde”, disse o ministro.

Marcelo Queiroga também comentou sobre casos filas furadas e fraudes nas campanhas de vacinação. Para o cardiologista, a fiscalização desses delitos não é função do Ministério da Saúde. “Não é função do Ministério da Saúde apurar isso aí. Isso é assunto da Polícia Federal”, afirmou.

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