UOL apaga reportagem que compara dinheiro de Vorcaro para Dark Horse com ganhos do BTG no Master
Reportagem comparava valor negociado por Flávio Bolsonaro com ganhos de bancos na venda de CDBs do Master; texto foi retirado do ar

O UOL publicou e retirou do ar, no dia seguinte, uma reportagem que comparava o valor repassado por Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme Dark Horse com os ganhos individuais de sete bancos na venda de CDBs do Master.

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Ver todasIntitulada “Flávio negociou com Vorcaro mais do que BTG ganhou com CDBs do Master”, a matéria mostrou que o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) conseguiu arrancar de Vorcaro R$ 134 milhões para a produção do filme sobre a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para demonstrar que a quantia era exorbitante, o texto apontou que nem mesmo instituições financeiras que comercializaram os “vantajosos” CDBs do Master conseguiram obter um volume tão elevado de recursos.
A reportagem apresentou os ganhos de BTG, Órama, Genial, Safra e Ágora. XP e Nubank também foram mencionados, mas o texto destacou que os dois arrecadaram valores bem superiores aos destinados ao Dark Horse. Os bancos não gostaram da comparação. E o UOL, cujo dono também controla o banco digital PagBank, cedeu à pressão e sumiu com a reportagem do ar.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA matéria foi publicada em 19 de maio de 2026, às 11h40. No dia seguinte, sem qualquer explicação aos leitores, foi retirada do ar. O Metrópoles só conseguiu recuperar o conteúdo por meio da Wayback Machine, ferramenta que permite consultar versões arquivadas de páginas da internet. Leia aqui a matéria que o UOL apagou de seu sistema.
O UOL (Universo Online) pertence ao Grupo Folha, que também controla o jornal Folha de S.Paulo.
O Manual de Redação da Folha de S.Paulo estabelece que reportagens publicadas não devem ser retiradas do ar, salvo por determinação judicial. “A Folha não retira do ar conteúdos publicados nas plataformas digitais, exceto mediante determinação judicial”, diz o documento.
O mesmo manual determina que “o jornal não altera informações publicadas, a não ser quando é necessário atualizá-las ou corrigi-las”. Também estabelece que “o jornal não altera parâmetros de indexação de conteúdos para evitar que sejam encontrados por buscas na internet, exceto se houver ordem judicial”.
O Metrópoles entrou em contato com o UOL, que optou por não responder aos questionamentos.
Folha editou reportagem para atender aos interesses de Daniel Vorcaro
O Metrópoles revelou que Daniel Vorcaro pagou R$ 1 milhão a um assessor de crise por ter conseguido convencer o diretor de redação da Folha, Sergio Davila, a adiar por um mês a publicação de um perfil do executivo do Master e incluir na reportagem parágrafos favoráveis ao banqueiro.
No dia seguinte à decisão de segurar a matéria, Vorcaro foi recebido por Davila na sede da Folha, em São Paulo. O encontro não foi registrado nas páginas do jornal, como é de praxe.
Em nota ao Metrópoles, Davila afirmou que atendeu a um pedido de Vorcaro para não tornar pública a reunião.
Após a prisão do banqueiro, a Folha modificou o texto, substituindo os parágrafos que o favoreciam por trechos críticos a ele. As alterações não foram comunicadas aos leitores.
O Metrópoles também revelou que, após Vorcaro demonstrar insatisfação com reportagens que citavam a Fictor — instituição parceira do Master —, a Folha de S.Paulo apagou quatro parágrafos de uma matéria que levantavam suspeitas sobre a atuação da financeira.
O texto havia sido publicado em 17 de novembro de 2025, quando foi anunciada a compra do Banco Master.
Em uma autocrítica, a própria ombudsman da Folha afirmou, à época, que o jornal havia sido “generoso” com a Fictor.
