Folha de S.Paulo recebeu Vorcaro e omitiu reunião dos leitores a pedido do banqueiro
Mensagens obtidas pelo Metrópoles revelam que Vorcaro pagou R$ 1 milhão para gestor de crise interferir em reportagem

A Folha de S.Paulo admitiu que recebeu Daniel Vorcaro na sede do jornal e omitiu a reunião a pedido do banqueiro. É de praxe na Folha que os encontros sejam informados na coluna Painel, a principal do veículo de comunicação. Os encontros oficiais são, em regra, descritos na última nota da coluna, citando todos os presentes.
Em resposta aos questionamentos do Metrópoles sobre mensagens que revelam interferência de Vorcaro em uma reportagem do jornal sobre o perfil do banqueiro, a Folha de S.Paulo disse que a matéria “não foi segurada porque não estava pronta”.

Como o Metrópoles mostrou, Vorcaro pagou R$ 1 milhão ao gestor de crise Guilherme Barros para adiar a publicação do texto, retirar pontos incômodos e incluir informações que enalteciam os resultados do Banco Master. A negociação foi feita com o diretor de redação da Folha, Sérgio Dávila.
Segundo o manual de redação da Folha, ao definir o termo “notícia”, é informado que “suprimir ou inserir uma informação no texto pode alterar o significado da notícia”. O mesmo documento diz ainda que “a Folha costuma manter uma atitude de permanente transparência diante de seus leitores”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesPela primeira vez, a Folha também confirmou que recebeu dinheiro do dono do Banco Master. O jornal afirmou que o Vorcaro pagou R$ 516.441,60 em anúncios ao longo de cinco anos e comparou: “Cerca de 2,58% do total de R$ 20 milhões em pagamentos feitos por Vorcaro ao Metrópoles”.
Veja as perguntas do Metrópoles e as respostas da Folha:
1. Na conversa, Guilherme Barros diz explicitamente que Sérgio Dávila segurou a publicação da reportagem “Novato na Faria Lima, banqueiro de 40 anos chama a atenção para aquisição em séries e festa com Alok” e o fez atendendo a um pedido de Vorcaro, repassado pelo gestor de crise. A Folha gostaria de comentar?
A reportagem não foi segurada porque não estava pronta. O pedido de Vorcaro foi de prazo para ser ouvido, o que foi concedido.
2. No dia seguinte ao adiamento da matéria, Sérgio Dávila pediu para “tomar um café” com Daniel Vorcaro, na sede da Folha. Dávila confirma que partiu dele o pedido para o encontro? Por que razão a reunião não foi registrada na coluna Painel, como é praxe no jornal?
O pedido de café foi de Guilherme de Barros, com o objetivo de o ex-banqueiro dar o seu lado para a reportagem, assim como o pedido para que a visita não fosse registrada no Painel. Ele foi atendido em ambas as demandas.
3. Guilherme Barros recebeu de Vorcaro R$ 1 milhão para segurar e, depois, “amenizar” o texto da reportagem publicada pela Folha. As edições da reportagem publicadas no impresso e na versão digital demonstram que os anseios de Vorcaro foram atendidos. Mais de um ano depois, o texto publicado no digital foi editado, e trechos favoráveis ao banqueiro foram suprimidos sem que o leitor fosse informado da decisão do jornal. O que a Folha diz sobre isso?
Os anseios de Vorcaro não foram atendidos, a reportagem não foi segurada, saiu no prazo programado, e não foi amenizada, saiu em sua versão original. As alterações posteriores foram para incluir a prisão do ex-banqueiro, ocorrida no ano seguinte. O leitor sempre é informado de alterações feitas, por meio de aviso publicado abaixo da data original.
4. Sérgio Dávila tinha conhecimento que Guilherme Barros recebeu R$ 1 milhão de Daniel Vorcaro para interferir na dinâmica e no conteúdo da reportagem em questão?
Não, apenas depois de ler as mensagens vazadas nos últimos dias.
5. A Folha recebeu algum patrocínio ou verba de publicidade de alguma empresa ou negócio vinculado a Daniel Vorcaro?
Sim, ao longo de cinco anos a Folha recebeu um total de R$ 516.441,60 em anúncios veiculados no jornal, ou cerca de 2,58% do total de R$ 20 milhões recebidos em apenas um dos pagamentos feitos por Vorcaro ao Metrópoles.












