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Eleições 2026Brasil

Último debate do 1º turno vira cálculo de Lula e Flávio em eleição acirrada

A três dias do 1º turno, encontro pode ser a única chance de Lula e Flávio ficarem frente a frente na TV

28/09/2026 04:30
Arte Metrópoles
Montagem com fotos de Lula e Flavio Bolsonaro - Metr[opoles

O último debate presidencial antes do 1º turno, marcado para 1º de outubro (quinta-feira) na Rede Globo, três dias antes da primeira etapa da eleição, pode ser uma oportunidade para o eleitor vislumbrar um confronto direto de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Os dois candidatos ainda não participaram de nenhum debate nesta eleição, em uma disputa mais acirrada do que a de 2022.

Há quatro anos, a dez dias do primeiro turno, Lula tinha 47% das intenções de voto contra 33% de Jair Bolsonaro (PL), segundo o Datafolha —uma diferença de 14 pontos percentuais. Mesmo assim, o petista não venceu na primeira etapa. No segundo turno, Lula teve 60.345.825 votos, contra 58.206.322 de Bolsonaro, diferença de pouco mais de 2 milhões de votos.

Agora, a distância entre os principais candidatos é menor conforme os levantamentos. Pesquisa Quaest divulgada em 21 de setembro mostrou Lula com 37% e Flávio com 33% no primeiro turno. Em um eventual segundo turno, os dois apareciam tecnicamente empatados, dentro da margem de erro.

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  • Debate pode ter confronto: marcado para 1º de outubro, o encontro pode ser o primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro na TV;
  • Disputa mais apertada: Quaest aponta Lula com 37% e Flávio com 33% no 1º turno; no 2º, os dois aparecem tecnicamente empatados;
  • Menos candidatos no palco: Renan Santos e Romeu Zema ficaram fora do debate, reduzindo o número de adversários e alterando a estratégia das campanhas;
  • Banco Master entra no cálculo: Flávio pode ser questionado sobre contatos com Daniel Vorcaro, enquanto Lula pretende explorar comparação econômica com o governo Bolsonaro.

Menos adversários

O formato do debate também entrou no cálculo das campanhas. Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) não foram convidados para o encontro por causa das regras eleitorais que estabelecem critérios para a participação de candidatos em debates.

Com menos nomes no palco, a avaliação na campanha de Lula é de que o presidente teria menos adversários para atacá-lo. Lula seria o único candidato identificado com a esquerda entre os participantes, enquanto os demais nomes representam campos de centro ou direita.

Esse cenário pode aumentar a disposição do petista em comparecer ao debate. A participação, porém, ainda é tratada como uma decisão estratégica pela campanha.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro condiciona sua presença à participação de Lula. A campanha do senador avalia que não faria sentido disputar o debate caso o principal adversário não esteja no palco.

Banco Master

Outro fator passou a pesar nas discussões internas da campanha de Flávio: os desdobramentos do caso Banco Master.

O senador entrou no radar dos adversários depois de registros encontrados pela Polícia Federal (PF) indicarem que ele tentou falar com Daniel Vorcaro nos dias que antecederam a prisão do banqueiro. Flávio chegou a realizar uma ligação para Vorcaro um dia antes da prisão.

O contato, por si só, não indica irregularidade do senador. Politicamente, porém, a avaliação é de que o episódio pode ser explorado pelos adversários em um eventual debate.

A possibilidade de questionamentos sobre o caso aumenta o cálculo de risco para a campanha de Flávio, especialmente porque o encontro da Globo ocorrerá na reta final do primeiro turno.

Estratégia de Lula

Caso Lula participe, a orientação da campanha é levar para o debate uma estratégia que já vem sendo usada na propaganda eleitoral: comparar os preços de produtos e serviços do cotidiano com os indicadores econômicos registrados durante o governo Jair Bolsonaro.

A ideia é colocar a situação vivida atualmente pelos eleitores ao lado dos números do governo anterior e, ao mesmo tempo, associar Flávio ao legado político do pai.

O debate, portanto, pode colocar os dois candidatos diante de escolhas distintas. Para Lula, o risco é abrir espaço para ataques em um momento decisivo da eleição. Para Flávio, participar significa enfrentar diretamente o presidente e, ao mesmo tempo, ficar exposto a questionamentos sobre o Banco Master.

A três dias da votação, o encontro também pode ter um peso diferente do observado em 2022. Naquele ano, Lula e Bolsonaro chegaram ao primeiro turno separados por 14 pontos no Datafolha. Ainda assim, a eleição terminou decidida por pouco mais de 2 milhões de votos.

Em 2026, com uma diferença menor entre os dois principais candidatos nas pesquisas, o último debate do primeiro turno pode ser o primeiro — e, até o momento, o único— confronto direto entre Lula e Flávio na televisão antes da abertura das urnas.