Última semana do ano no Brasil tem mais mortes por Covid-19 que a anterior
O índice de óbitos se assemelha ao registrado no início de outubro de 2020
atualizado
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O número de mortos no Brasil em decorrência da Covid-19 voltou a crescer. Na última semana epidemiológica, compreendida entre os dias 27 de dezembro a 2 de janeiro, o Ministério da Saúde contabilizou 4.946 óbitos, aumento de 2,9% em comparação ao período de 20 a 26 de dezembro, quando o país registrou 4.807 falecimentos.
O índice de óbitos se assemelha ao registrado no início de outubro do último ano, quando 4.874 brasileiros perderam a vida por conta da doença. Em relação aos infectados, segundo análise do (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, foram 252.483 novos contaminados, 7,4% a menos do que em relação à semana imediatamente anterior.
Veja gráfico:
Desde julho, o país passou de uma escalada do número de óbitos por Covid-19 a uma estabilização nas alturas. O ritmo de fatalidades, então, começou a cair nos períodos seguintes, chegando aos menores índices no início de novembro, quando o Brasil registrou 2.385 óbitos na 45ª semana epidemiológica (entre os dias 1 e 7 de novembro).
Logo depois, na 46ª semana epidemiológica, apresentou alta (3.389 vítimas). Sete dias depois, uma pequena queda fez com que os registros caíssem para 3.331. Os números, no entanto, voltaram a crescer nas quatro semanas seguidas, até a 51ª (13 a 19/12), quando chegaram a 5.233 mortes.
Atraso nas notificações
As notificações de mortes e novos casos de Covid-19 costumam diminuir em fins de semana e feriados, o que explicam as quedas repentinas. Isso acontece, segundo especialistas, pelo regime de plantão nos centros de saúde e em laboratórios, o que atrasa o repasse das informações.
Para reduzir esse efeito e produzir uma visão mais fiel do cenário, a média móvel é amplamente utilizada ao redor do mundo. A taxa, então, representa a soma das mortes divulgadas em uma semana dividida por sete. O nome “móvel” é porque varia conforme o total de óbitos dos sete dias anteriores.
Testagem e rastreamento
Ainda que as infecções pareçam menores, o índice de testagem no Brasil está em 100º no ranking mundial, bem abaixo de alguns países da América do Sul – como Chile, Colômbia e Peru – e muito inferior às taxas de nações desenvolvidas, como Alemanha, Itália, Espanha e Estados Unidos, um dos epicentros da doença. Além disso, também perde neste quesito para Arábia Saudita, Azerbaijão, Israel, Lituânia e Rússia.
O Ministério da Saúde havia prometido, no início da pandemia, aplicar 46,2 milhões de testes PCR na rede pública até o fim deste ano. Mas, até 30 de dezembro, pouco mais de 11 milhões foram feitos. Os rápidos acrescentam 8,7 milhões na conta – um total de 19 milhões, ao todo. Isso significa que apenas 9% da população brasileira sabe, com certeza, se teve ou não contato com o vírus.
Terceiro país mais afetado
Desde o início da pandemia, foram registrados mais de 84,4 milhões casos de Covid-19 no mundo e 1.833.188 mortes provocadas pela doença. No ranking da Universidade Johns Hopkins, o Brasil aparece como o terceiro país mais afetado pela Covid-19 em número de infecções, perdendo para os Estados Unidos e para a Índia. No entanto, em relação aos óbitos, o Brasil continua em segundo lugar.

