Tribunal Militar deve julgar sobre patente de Bolsonaro no início de 2027
STM informou ao Metrópoles que a ação, aberta em fevereiro deste ano, está dentro do prazo normal para "processos dessa natureza"

O Superior Tribunal Militar (STM) informou ao Metrópoles que o julgamento da ação que pede a perda do posto e da patente do Exército do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que é capitão da reserva, deve acontecer logo no início de 2027.
Bolsonaro está preso após ter sido condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes. Em razão da patente no Exército, ele recebe atualmente um salário bruto de R$ 12.861,61 (R$ 9,5 mil, líquido), segundo o Portal da Transparência.
O STM vai julgar se a condenação resultou em “incompatibilidade e indignidade para o oficialato” — ação prevista na legislação militar que deve ser movida sempre que algum oficial for condenado a pena privativa de liberdade superior a dois anos, a chamada Declaração de Indignidade para o Oficialato.
Se a perda da patente for decretada pelo STM, o salário deverá ser repassado para esposa ou filha, em forma de pensão. O benefício é conhecido como “morte ficta”, também previsto na legislação das Forças Armadas, desde 1960.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO processo foi aberto em fevereiro deste ano pelo Ministério Público Militar (MPM), que atua sob o comando do procurador-geral da Justiça Militar, Clauro Roberto de Bortolli.
A ação, que também engloba o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, e os generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto – todos condenados a penas entre 19 e 27 anos de prisão por crimes, como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito -, já está encaminhada. Cada um dos envolvidos já tem um relator específico, escolhidos por sorteio eletrônico:
- Bolsonaro: ministro Carlos Vyuk Aquino (Aeronáutica);
- Almirante Garnier: ministra Veronica Sterman (Civil);
- General Paulo Sergio Nogueira: ministro Barroso Filho (Civil);
- General Heleno: ministro Celso Luiz Nazareth (Marinha);
- General Braga Netto: ministro Flavio Marcus Lancia (Exército).
O STM informou que, atualmente, todos os processos estão na fase de cumprimento de diligências determinadas pelos respectivos relatores e que, historicamente, processos dessa natureza na Corte militar levam entre nove e 11 meses para tramitar.
“Os casos mencionados estão dentro desse prazo. A previsão é que os julgamentos ocorram no início de 2027”, informou o STM ao Metrópoles.
Saiba mais
- O julgamento responderá estritamente se crimes contra a democracia são compatíveis ou não com o oficialato militar, ou seja, a Corte não deverá entrar no mérito das condenações de culpa de cada condenado.
- Em junho, a defesa de Jair Bolsonaro buscou reconhecimento da suspeição do tenente-brigadeiro Joseli Camelo para relatar o processo. Segundo a defesa, o ministro teria se manifestado publicamente sobre a condenação e não poderia continuar no comando do caso. O recurso foi negado por unanimidade.
- O ministro relator de cada caso elabora seu voto sem prazo oficial definido para sua conclusão e apresentação. Somente após a conclusão da redação do voto, a presidência do STM – hoje chefiada pela ministra Maria Elisabeth Rocha – marca a data para julgamento em plenário e convoca os 15 ministros que compõem o tribunal.
- Desse total, cinco ministro são civis e 10 militares, cujas cadeiras estão distribuídas entre quatro vagas destinadas ao Exército, três à Marinha e três à Aeronáutica.
