TRF-1 manda colocar em liberdade hacker presa na Operação Spoofing

Habeas corpus foi aceito pela Quarta Turma. Suelen Priscila de Oliveira terá que cumprir medidas alternativas para seguir fora da prisão

Andre Borges/Esp. MetrópolesAndre Borges/Esp. Metrópoles

atualizado 02/10/2019 19:54

A Quarta Turma do Tribunal Federal da 1ª Região (TRF-1) decidiu, na terça-feira (01/10/2019), aceitar o pedido de habeas corpus de Suelen Priscila de Oliveira, uma das acusadas de hackear autoridades dos três Poderes e do Ministério Público, presa na Operação Spoofing, deflagrada em 23 de julho último. Com isso, foi expedido um alvará de soltura, que, segundo o advogado de Suelen, Ariovaldo Moreira, será cumprido ainda nesta quarta-feira (02/10/2019).

Ela poderá agora passar a responder ao processo em liberdade, desde que cumpra algumas medidas cautelares impostas pela Quarta Turma:

  • Atualização do endereço, de telefones e de demais informações sobre onde e como poderá ser localizada;
  • Entrega do passaporte em juízo;
  • Proibição de ausentar-se da comarca sem autorização do Juízo Federal da 10ª Vara no DF;
  • Comparecimento mensal ao Juizo da 10ª Vara ou ao Juizo Deprecado para informar e justificar suas atividades;
  • Proibição de manter contato com os demais investigados, direta ou indiretamente, até o fim das ou decisão judicial em sentido diverso;
  • Obrigação de recolher-se à residência no período noturno, entre as 20h e as 6h, bem como nos fins de semana e feriados.

Marido seguirá preso
O colegiado, entretanto, negou liberdade para Gustavo Henrique Elias dos Santos, marido de Suelen e também preso em Brasília desde 23 de julho.

Confira o despacho do desembargador federal Cândido Ribeiro:

Habeas corpus Suelen Priscila by Lourenço Flores on Scribd

Entenda
Perícia da Polícia Federal identificou que pelo menos 84 autoridades públicas foram alvos de tentativas de invasão feitas pelo grupo de hackers preso na Operação Spoofing. A lista de alvos da PF inclui celulares do presidente Jair Bolsonaro e dos seus filhos, dos ex-procuradores-gerais da República Raquel Dodge e Rodrigo Janot, de membros do Judiciário e de procuradores da Lava Jato.

Três ministros de Bolsonaro também foram alvo do grupo: Paulo Guedes (Economia), Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) e Abraham Weintraub (Educação). Do Legislativo, os nomes mais vistosos são os dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). No Judiciário, o rol vai de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e um do Supremo Tribunal Federal (STF) e juízes e desembargadores federais.

Procuradores da Operação Lava Jato foram os principais alvos, incluindo parte dos integrantes das forças-tarefas de Curitiba e do Rio. As mensagens hackeadas foram então repassadas ao site The Intercept Brasil, que começou uma série de reportagens com base no material, a chamada Vaza Jato.

O relatório da perícia da PF registra a quantidade de vezes em que os hackers utilizaram a técnica de usar um aplicativo para simular uma ligação com mesmo número de origem e de destino. Por meio dessa técnica, os hackers conseguiam invadir a caixa postal dos celulares e obter a senha de acesso ao Telegram, para entrar no aplicativo e ter acesso às conversas mantidas pelo alvo. Ainda não houve identificação, porém, de quais alvos os hackers conseguiram efetivamente copiar conteúdo ou mesmo entrar no  aplicativo de mensagens. O relatório registra apenas o fato de terem sido alvo dos ataques.

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