
TRE-BA manda candidata do PL apagar vídeo transfóbico contra Bancada Trans
Suplente de Carlos Bolsonaro no Rio, Alana Passos questionou a criação da Bancada Trans e pediu posicionamento de “mulheres biológicas”

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou, em decisão liminar proferida em 24 de agosto, que a vereadora do Rio de Janeiro e candidata a deputada federal Alana Passos (PL) retire das redes sociais um vídeo classificado pela Justiça Eleitoral como “transfóbico”.
A ordem também foi direcionada à Meta, empresa responsável pelo Facebook e pelo Instagram, plataformas onde o conteúdo foi publicado.
A decisão atende a uma representação apresentada por Manuella Tyler (PSB), candidata a deputada federal pela Bahia e integrante da articulação nacional da Bancada Trans. Segundo a representante, o vídeo de Alana Passos atacava a iniciativa e continha declarações que ultrapassavam a crítica política e assumiam caráter discriminatório.
No vídeo, publicado pela vereadora na última semana, Alana afirmava haver um “movimento para criar a primeira bancada trans na Câmara dos Deputados Federais” e questionava: “Será que até quando nós iremos permitir que uma minoria barulhenta tome os nossos espaços como mulheres biológicas?”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEla também pedia que “mulheres biológicas” se posicionassem contra o grupo e se referia a pessoas trans como “aqueles que não sabem nem o que são”.
Decisão do TRE da Bahia
Na decisão, o relator do caso, desembargador eleitoral Gustavo Teles Veras Nunes, afirmou que as declarações da vereadora associam a presença de pessoas trans no Parlamento a uma ameaça à sociedade e negam a identidade desse grupo.
Para o magistrado, as falas extrapolam os limites constitucionais da liberdade de expressão e caracterizam propaganda eleitoral vedada por discriminação de gênero, conforme a Resolução TSE nº 23.610/2019.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasAlana Passos ocupa cargo na Câmara Municipal do Rio desde dezembro de 2025, quando assumiu a vaga aberta pela renúncia de Carlos Bolsonaro (PL). Vereador mais votado do Rio na eleição de 2024, Carlos deixou o cargo para transferir seu domicílio eleitoral para Santa Catarina, estado pelo qual disputa uma vaga no Senado nas eleições deste ano.
De acordo com a decisão, as representadas deveriam retirar o vídeo do ar, incluindo eventuais cópias idênticas, no prazo de 24 horas após a intimação, sob pena de multa diária de R$ 1 mil. Nesta sexta-feira (28/8), o conteúdo já não estava disponível no perfil de Alana.
O Metrópoles tenta contato com a defesa da vereadora. O espaço segue aberto para manifestações.
Para Manuella Tyler, a decisão representa um recado para todo o país. “Essa vitória não é apenas minha. É da Bancada Trans, é de quem acredita na justiça, na democracia e de todas as mulheres trans que estão disputando espaços de poder e de todos que acreditam que a democracia precisa ser um lugar para todas e todos. Nossa identidade não pode ser usada como instrumento de ódio político”, afirmou a candidata.
Além dela, fazem parte da Bancada Trans a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), a deputada federal Duda Salabert (Psol-MG), a vereadora Thabatta Pimenta (PV-RN) e a vereadora Benny Briolly (PT-RJ).



