Transparência Internacional diz que Lula “minimiza” crise do Master
ONG afirma que presidente “se omite” e se mostrou “péssimo conselheiro” ao sugerir que Alexandre de Moraes se declare suspeito em caso
atualizado
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A ONG Transparência Internacional criticou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante da crise que envolve integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master.
Em comunicado divulgado nessa quinta-feira (9/4), a entidade afirmou que o chefe do Planalto “minimiza” o possível conflito de interesses do ministro Alexandre de Moraes no caso.
“É extremamente prejudicial ao país a forma como o presidente minimizou o caso, (…) como se fosse meramente uma questão de impedimento. O conflito de interesses, já evidente, é o menor dos problemas neste caso gravíssimo, e a declaração de impedimento por parte de Moraes estaria longe de solucioná-lo”, diz a nota.
Em entrevista ao portal ICL Notícias, Lula disse ter aconselhado Moraes a se declarar impedido em processos ligados ao caso Master e que envolvam o escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher do magistrado.
O petista ressaltou que a crise afeta a imagem do Judiciário e relatou uma conversa que teria tido com Moraes sobre o episódio.
“Você fez uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de janeiro, não permita que o (Daniel) Vorcaro jogue fora sua biografia”, revelou Lula na entrevista.
Para a organização, com essa fala, o presidente “confirma que é um péssimo conselheiro quando o tema é probidade” e se “omite”.
“Ao minimizar um caso de tamanha gravidade, demonstra que sua preocupação central é apenas se distanciar politicamente do escândalo e de seu impacto eleitoral”, diz a nota da ONG.
“Contrato fora dos parâmetros”
A entidade também cita a existência de um contrato “completamente fora dos parâmetros” de R$ 129 milhões, de objeto genérico e natureza “lobista”, do Master, um “banco de pequeno a médio porte”, com o escritório de Viviane Barci.
“O cliente Master e seu proprietário Daniel Vorcaro já tinham histórico de investigações e sobre eles pairavam suspeitas generalizadas no mercado –fortíssimos indícios de que o valor tão incompatível poderia ter origem criminosa”, argumenta.








