Motoristas do DF têm a maior média de multas de trânsito do país

Levantamento do (M)Dados mostra a proporção de infrações cometidas por condutor em cada unidade federativa

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 26/10/2019 15:02

Quem são os motoristas mais multados do Brasil? Para chegar à resposta, o (M)Dados cruzou o número de multas aplicadas entre 2015 e 2019, em todo o país, com a quantidade de habilitados por unidade federativa. Ambas as informações são recolhidas pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e fornecidas pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

A análise revelou que os condutores do Distrito Federal são os mais penalizados. Nos últimos cinco anos, foi aplicada 0,81 multa por motorista na capital da República. Em segundo lugar, vem o Ceará (0,68 multa por habilitado) e, em terceiro, está Roraima (0,52). Completam o ranking dos cinco maiores Goiás (0,5) e São Paulo (0,44).

Os números, entretanto, escondem uma situação mais complexa. Como o cruzamento leva em conta a quantidade de multas aplicadas, um outro fator é fundamental para avaliar os condutores brasileiros.

“Muitas cidades não possuem um sistema tecnológico, como os equipamentos de controle de velocidade ou controle de avanço de sinal, que permita a fiscalização e garanta a segurança viária, como existe no Distrito Federal”, explicou o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF).

Excesso de velocidade

Os números corroboram a análise do Detran-DF. No Brasil, a multa mais comum é por dirigir em velocidade até 20% acima da permitida na via. No país, 37,45% das 126 milhões de multas aplicadas desde janeiro de 2015 até agosto deste ano são por esse tipo de infração. No Distrito Federal, 52,5% das 3,006 milhões aplicadas no período ocorreram pela mesma razão.

A doutoranda em transporte e pesquisadora do Centro Interdisciplinar de Estudos em Transporte da Universidade de Brasília (UnB) Adriana Modesto de Sousa destaca, no entanto, o problema da subnotificação: um estado pode multar menos do que outros por não fazer uma fiscalização adequada.

Segundo a pesquisadora, também é necessário entender por que, mesmo com o grande número de multas, as pessoas continuam cometendo infrações. “Está mais relacionado ao comportamento”, pontuou. Para Adriana, a solução para diminuir essas ocorrências passa pela educação do motorista e pelo investimento em transporte público, entre outros fatores.

“Não há nenhum tipo de avaliação para ver se a população está entendendo as campanhas. Distribuir panfleto não quer dizer que você está educando”, concluiu.

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